RED SPLASH
quarta-feira, 26 de maio de 2021
terça-feira, 25 de maio de 2021
sexta-feira, 7 de maio de 2021
EL GUAPO
Long ago, tinha um amigo que me chamava de Bat. Dizia
ele que eu me vestia como o Bat Masterson do seriado na TV. Eu o chamava de
Baixo.
Tinha estatura pequena mas uma voz tonitroante. Na
Serra, no bar do Toniolo a gente se reunia e ele tentava me fazer cantar. Com a
viola debaixo do braço entoava Granada com uma força tamanha que afugentava
todos os gatos da vizinhança. Os cachorros achavam que eram lobos. Em uivos
profundos e intermináveis faziam o côro final. Os vizinhos despejavam panelas,
penicos e outras coisas mais chocantes, pelas janelas, decorando o ambiente.
Terminávamos a noite regando a árvore mais próxima. Nossas namoradas sabiam de
tudo que acontecia e nos defendiam, unha e dente, contra os pais que desejavam
o extermínio puro e simples daqueles miseráveis bardos.
De Bat fui para El Guapo, nos Estados Unidos.
Não que havia deixado de vestir-me com elegância ou
virado um “drug lord”. Virei El Guapo depois de uma lamentável performance diante
de minha mulher, minha filha e meu segundo filho.
Havia indicado para eles um filme hollywoodiano (uma
verdadeira porcaria), para entretê-los naquela noite fria de inverno, em
Cleveland. Os maravilhosos atores eram Martin Short, Steve Martin e Chevy
Chase. O trio certamente indicava uma chanchada de lamentável textura. Um
desastre que se tornava maior quando cantavam “my lollypop”. A película se
intitulava Three Amigos.
Vozes enfurecidas saiam do quarto de televisão. Acho
que não estavam gostando, especialmente quando o El Guapo do filme apareceu.
Eu já tinha ido dormir e o fazia pelado.
Lá para as tantas, com o vozerio ensurdecedor e
protestos contra El Guapo acordei e apareci, em pelo, na frente deles, pulando
e gesticulando, dizendo: “que dirão os vizinhos...que dirão os vizinhos?”
Acho que minha performance foi trágica. Nu, com a
salsicha balançando, esbaforido e sacudindo os braços como um macaco psicopata,
notei que todos estavam subitamente silentes. Olhos esbugalhados, estatelados e
estupefatos se ascenderam quando em gargalhadas contínuas quase tiveram uma síncope.
Notei então que peladão eu não valia muito. Pior
ainda, minha filha apontando disse: “olha é o El Guapo!”
Não se preocupem, tais ligeiros deslizes não
diminuiram meu eu mesmo. Na verdade, como um Fênix, ressurgi das cinzas e em El Guapo me transformei,
pronto para novas aventuras.
quarta-feira, 5 de maio de 2021
FULMINE
O salão era grande. Em festa desfilavam as mais belas. Eram todas
lindas.
Entrei, ávido, queria ver todas, mas só ví uma.
Era a mais bela. Os cabelos castanhos, a elegância ímpar, o sorriso mais
doce.
Fui fulminado por um raio. Caiu em mim atordoando todos os meus
sentidos.
Já estava apaixonado. Como poderia dizer-lhe sem parecer ridículo?
Aproximei-me. Ouvi sua voz. Balbuciei alguma coisa, nem mais sei o que
foi.
Deve ter sido bom. Aceitou meu convite. O paraíso estava próximo, deixei
que os raios que caiam fizesse de mim o que ela queria.
Não pude mais deixá-la.
AMADURECENDO?
Maduro, que balança mais do que o Balança Mas Não Cai,
segue pendurado no seu galho venezuelano, esperando que a lei da gravidade
prevalesça.
Massacrando a economia de seu país, segue dando uma de
ditador mequetrefe, com faixa ao peito, perseguindo desafetos e cutucando os
Estados Unidos.
Se, o Brasil, tem só uma hora de munição e a Venezuela
algumas mais, segundo o falecido Fidel, já pensou se ele ganhar a guerra?
Será que o grande líder exumará o cadáver de Lincoln,
como seu antecessor fez com o de Simon Bolívar?
Espere o
resultado, em breve, nesta mesma coluna, pelo mesmo autor, estamos em contato
com o passarinho do mesmo.
quinta-feira, 29 de abril de 2021
sábado, 10 de abril de 2021
terça-feira, 9 de março de 2021
IN MEMORIAM
Palavras
para o irmão que se foi
Ricardo Gilberti
19/nov/1949
27/fev/2021
Era o irmão do meio e ficava entre as chaturas dos mais
velhos e proteção aos dois últimos.
Talvez ali, naquela posição já mostrava que seria um grande
mediador, um irmão que agregava, que ponderava, que ajudava.
Mais quieto, mais sábio, mais inteligente, sempre excelente
aluno, escolhendo uma profissão onde o erro não poderia existir.
Formou-se engenheiro. Grande calculista, fazia contas de
cabeça melhor do que os “Hewlett Packards” da época. E foi em uma destas contas
que descobriu que sua brilhante mente não era mais aquela. Um câncer brutal
tomava parte de sua cabeça. Operou duas vezes mas este não foi embora.
Tomou-lhe tudo, seus movimentos, suas palavras, seus cálculos. Somente não lhe
tomou seu sorriso. Partiu sereno não deixando ver o sofrimento final que estes
cânceres mostram à todos, em suas artimanhas derradeiras. Coisas grotescas que
crescem dentro de você, devoram, empurram, entranham tirando tudo, até seus
pensamentos.
Ricardo era iluminado. Meu irmãozinho querido.
Trabalhamos juntos algumas vezes mas foi com o Sérgio, o caçula,
onde mais se realizou.
Das pescarias malucas onde peixes nunca vinham, às peladas
de futebol, o cantar em serestas, os cappellettis que fazia.
Quatro lindos e inteligentes filhos. Todos bem casados com
parceiras divinas e filhos cheios de alegrias.
Meu irmão: Você não era adepto das coisas religiosas, não
acreditava em aquecimento global e outras besteiras que os semi analfabetos de
hoje se agarram por não terem uma visão mais ampla das coisas deste planeta.
Agora, estes mistérios lhe serão revelados. Espero que faças deste outro mundo
algo tão bom quanto fizeste aqui.
Descanse em paz meu querido irmão.
Até breve.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2021
sábado, 30 de janeiro de 2021
BABÁ SEDUTORA
Mini saia, mini mesmo, do tipo abajur de perereca. Já havia seduzido
diversos incautos, entre eles o amásio da nossa secretária doméstica. Mas não
ficava por aí. A lista de vítimas só podia aumentar.
Tinha vindo do interior, era de menor, de acordo com os conformes da época.
Trabalhava para o Fajuto Magrelo, aquele dos quatro pneus furados.
Apresentava-se fagueira desfilando para a vizinhança. Tinha olhares para o tio
do traquinas. Este, o tio, já rapazola, era também adepto de travessuras.
Morava na esquina oposta ao lado da casa do mau-caratista em treinamento.
O cenário era perfeito. Dois jovens assanhos, um fajuto marido, uma
mulher frustrada, meio perua e meio pirada, uma secretária doméstica em modo de
vingança e outra que adorava o jovem rapaz a ponto de protegê-lo em tudo e de
todos. Um sobrinho traquinas ao lado e uma mãe, minha sogra, que era um doce.
Cheguei em casa, já era fim de dia, a tarde em decúbito. Um ajuntamento
se fazia crescer à frente da casa de minha sogra. Um carro da polícia, dois
oficiais fardados, braços para o ar, pedidos de justiça.
Esbaforida, minha querida sogra me puxou para o lado. Vão prender seu
cunhado...meu filhinho querido...não sei o que fazer.
Perguntei: O que houve? Respondeu: “Está escondido lá no quarto, no
segundo andar. Dizem que estava fornicando a babá.”
E ele foi visto fazendo tal coisa?
“Não sei”...
Deixa comigo que eu resolvo.
Simpaticamente procurei pelos oficiais cercados que estavam pela turba
liderada pela esposa do Fajuto Magrelo. Este, atrás dela, dizia: “É um tarado,
um perigo para a vizinhança.” Aplausos se ouviam...”Cortem-lhe os instrumentos”!
Seu guarda, argumentei, cheguei agora e encontro meu cunhado acuado em
seu quarto. Graves acusações estão sendo feitas, vejo nisto um mal entendido,
certamente. Vamos aos fatos...
Aparentemente um jovem rapaz foi visto no quarto da digníssima senhora
vizinha bolinando sua babá que é de
menor. Dizem que ao ser flagrado fugiu, n
Analisemos os fatos...o quarto e a babá se situam do no segundo andar do
prédio em frente. Nele existe uma janela que dá para um muro de três metros de
altura. Este muro se encontra à mais de dois metros da edificação.
Diz a voluntariosa senhora que ao adentrar o quarto o viu. Este logo
fugiu, pulando da janela até o muro, pulando deste até o chão, atravessando a
rua, subindo outro muro de três metros e entrando pela janela do segundo andar
de sua casa. Isto por que a porta da frente estava trancada, conforme afirma a
secretária doméstica desta casa.
Estamos à frente de um acróbata de circo. Um malabarista. Um atleta de
flexibilidade ímpar, quiçá alado. Garanto-lhes caros oficiais, que meu cunhado
não possui tal destreza.
“Foi ele, foi ele sim, afirmou a furiosa perua. Sim, sim, acrescentou o
fajuto marido com o braço em riste, por detrás da patroa”.
Os oficiais olharam para mim e disseram: “Prossiga, caro senhor.”
Indaguei à senhora: Como o viu?
Respondeu: “Por trás, ia vestir as calças. É ele sim, eu ví com estes
olhos que a terra há de comer!”
Minha senhora, se o viu por trás, como podes dizer que é meu cunhado? A
senhora conhece o traseiro do rapaz? Ele pulou a janela após ter vestido as calças?
Ou foi sem calças? Se foi sem calças, onde elas estão? A senhora afirma que
viu, por trás, um homem semi-nú voando pelos muros, atravessando uma via pública
e escalando a casa de sua vizinha, e, sem ver o seu rosto, afirma ainda, que
este terrível tarado voador é meu jovem e gentil cunhado?
“Eu posso reconhecer o traseiro, falou... Peça que êle desça e o
reconhecerei.”
Caros oficiais, ponderei, há necessidade de que exponhamos um jovem, forçando-o
a mostrar seu derrière, em público, para satisfazer os desejos de uma senhora cujos
argumentos falhos são produto de uma imaginação erótica e desmesurada? Que dirá
seu marido sobre este desejo obsceno?
Neste momento havia ganho o apoio de todos os curiosos. Aplausos se
faziam ouvir. Os guardas em gargalhadas não se continham. O tio do traquinas
surge na janela e é também ovacionado. A quase desvirginada babá dava voltinhas
ao redor dela mesma, a saia que quase não existia se levantava e para deleite
de todos deixava à mostra um bumbum redondinho e protubero.
Ganhei abraços e beijos. Os guardas partiram e a multidão se desfez.
O Fajuto Magrelo levou um cascudo por não defender a honra da donzela e
sua guardiã.
O traquinas e seu tio comemoravam, do alto.
Foi meu dia de advogado. O primeiro e o último... Dá muito trabalho
falar mentira.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2020
quarta-feira, 9 de dezembro de 2020
ABELIÉZER STRIKES AGAIN
(da série Abeliezer, o agente do Mossad)
Era uma manhã fria. A bruma espessa descia sobre Canada Gardens.
Em seu
Mercedes, o intrépido agente Abeliézer levava sua bela apotecária para seu boticário nas montanhas.
A densa
bruma fazia dos transeuntes espectros a se moverem pelas ruas. Se este Canada não fosse no Brasil diria que a tundra trazia seus habitantes
do norte para assombrarem as almas do sul.
Abeliézer não se importava. Para ele bastava sua
indelével amizade a Bibi e o amor da apotecária. Por eles enfrentaria até os camelos do inferno.
O som de um
rotor possante e o vento que ele trouxe indicavam o pouso iminente de um helicóptero. A nave estranha abre suas portas e nosso agente ouve o
chamado em hebraico. Beija sua bela,sussurra-lhe algo
ao ouvido e desaparece na bruma com a agilidade nata dos agentes secretos. Suas
fiéis abelhinhas eletrônicas o seguem em voo frenético e enfeitiçado.
No dia
seguinte, numa isolada área do Iran desce de para-quedas de
seda negra com escudinho do Mossad. Cercado por suas fiéis escudeiras, monta um breve acampamento à alguns metros de uma interseção viária, abre seu laptop e sincroniza as
abelhinhas dando-lhes as ordens de patrulhar a rodovia. Sabia que por alí passaria o líder do programa nuclear dos habibes
persas. Bibi lhe havia incumbido a missão de eliminá-lo do planeta, coisa fácil para Abeliézer.
Para o
sucesso da operação o Mossad havia adquirido um Fiat
Pulga. O tal cinquecento, mas aquele de outrora. A geringonça ainda andava Os cortes de verbas haviam acontecido porque
o Trump perdeu a eleição e o Biden não gosta de dar dinheiro para Israel. Abeliézer entendia. Afinal, havia também votado, em vão, no Presidente, mas isto não o impediria de completar a missão. O fim de Fakhir Azedo, o cientista, estava próximo. Dois agentes recrutados na Sicília estavam ali para ajudá-lo à pilotar o Fiat. Eram os irmãos Carabinni Pistolettis, sicários que haviam sido despedidos da Máfia por causa daquele juiz da operação manu politi. Aquela praga de juiz gerou um
desemprego maciço na bela península. Se a coisa ficasse preta os Carabinni o ajudariam a
fugir.
Como o tal
cientista estava demorando muito, os três resolveram ir até o SevenEleven mais próximo e comer um snack. Afinal,
ninguém é de ferro e Abeliézer estava com a barriga vazia. Só havia tomado umas 20 cápsulas de própolis, seu desejum favorito. Lá chegando pediu um falafel. Os
sicilianos se recusaram a comer. Para eles só existia tomate. “Ma que? Non c’é pomodoro? Questi habibes sono tutti imbecili”, assim
falaram.
Uns dez
falaféis depois ouviram uma caravana chegando. Não era motorizada. Eram 10 camelos abarrotados de persas
portando metralhadoras, RPGs, uma caixa de alcorões e uma bandeira do Che Guevara.
(Nunca se soube o que esta bandeira fazia ali)
Programou as abelhinhas e soltou as bichinhas nos habibes. Explodiu habibe para todos os lados, junto, o tal cientista que gritava Alahu Akbar até que uma abelha entrou por um orifício disponível e o mandou para o beleléu.
Os tais
iranianos eram danados. Imediatamente acionaram seus sistemas de defesa. Era uma
luta contra o tempo. Abeliézer e os irmãos Carabinni fugiam pelo deserto em alta velocidade (mais ou
menos 20Km/h) correndo para chegar ao “rendez-vous point”, onde seriam
salvos pela força aérea israelense. Mas os sicilianos não entendiam de “rendez-vous” como ponto de encontro, estavam
mais familiarizados com os “rendez-vous” das putanas e para lá foram esculhambando os planos de fuga do nosso herói. Na verdade ele sabia que conseguiria escapar, mas se sua
amada apotecária soubesse que foi para um “rendez-vous”…aí a morte seria certa.
Abeliézer deixa seus companheiros sicilianos se esbaldando com as
belas e cabeludas habibas, veste seu traje de homem voador e se manda na direção do caça stealth da Embraer que o
levaria de volta.
Mais uma
missão cumprida. Fahkir Azedo, o cientista, havia sido eliminado.
Tão alegre estava que chegou ao Canada Gardens cantando Hava
Naguila. Ao adentrar o boticário viu, sob a porta, uma mensagem de
Bibi e mais uma medalha para sua coleção.
Sorria feliz
até quando levou uma porretada no alto da sinagoga. Sua bela
havia recebido uma foto dele com os dois sicilianos no tal “rendez-vous”
iraniano.
Já dizia minha falecida nona… “Não se pode confiar em italiano do sul”…














