sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018


ARCO ÍRIS

(rainbow)

Chove chuva, deixe tuas lágrimas flutuar,
No firmamento distante…
Gotas invisiveis…
Entregas ao sol teus pingos sem cor,
Que tingidos por ele em delicados matizes,
Nos deixa teu arco…
Imagem etérea de tua luz,
Reflexos de tintos cristais…

Sei que vos tocar não posso…
Mas sei que vos posso ver.
Teu pote de ouro,
A teus pés reluzente…
Pedindo aos amantes,
Que nele encontrem, tão antes,
A esperança, em tuas cores…
E, em tua luz… o amor…




Today's Flowers

Manacas da Serra

domingo, 18 de fevereiro de 2018


CAN’T PLEASE EVERYONE

Já dizia Rick Nelson…
Can’t please everyone…
Gosto de azul, ela de verde.
Gosto de uísque e ela não gosta.
De cerveja? Gosta, mas não gosta.
De praia? Ela gosta e eu não…
De farra? Ah…gosto e gosto muito.
Ela, cruz credo!!!
Talvez de churrasco…eu gosto! Ela…é verde!
Can’t please everyone, so…gotta please yourself!

Sugiro ler ao som de Garden Party do Rick Nelson…

sábado, 17 de fevereiro de 2018


VÔO PARA OUTRO MUNDO



Dormir é bom…

Melhor quando se sonha, muito melhor quando o sonho e fantástico.

Dizem os espíritas que, quando dormimos, podemos nos desprender de nossos corpos e viajar por dimensões outras. Há sonhos com nexo e também os desprovidos do mesmo. Quando ele é uma história completa não interessa se é real ou fantasioso.

É um verdadeiro sonho sonhá-lo…

Sonhei.

Era um sonho de um sono longo, numa noite quente, cama macia. 

Macia como os braços de uma amada dos quais não queremos sair. 

Nele mergulhei…e senti-me leve.

Voei pela janela, nem roupa tinha. Não sentia o vento, não sentia frio.

Mas voei…por cima de fios, debaixo de árvores, alto no espaço, baixo ao rés do chão. Voei rápido, voei lento, espiralando ao redor de mim mesmo. Ia aonde queria.

Vi uma cidade ao longe. Era pequena, Iluminada por lampiões à gás. Casas de madeira, tijolos nas ruas, cestas de flores nas janelas…um presépio.

Lá estava. Continuava nu em pelo, mas ninguém notava, nem eu mesmo.

As portas de um bar se abriram, um “pub” à inglesa, convidativo, barulhento e alegre. Pedi um “straight up”. Nunca tomei um escocês tão bom. Descia como o vento, subia como um torpedo.

Não sabia que poderia me embebedar em um sonho, mas neste, sendo tão real, tinha os mesmos efeitos dos bares da realidade.

Pedi outro…

As divas da noite se acercavam. Exalavam perfumes que entorpeciam, seduziam. Cantavam com vozes de sereias.

Me perdi…não mais queria voltar.

Na realidade deste mundo tudo era certo e tudo era errado. Errado quando pensava que de onde vim era certo. Certo, quando naquele lugar me sentia mais perfeito, mais correto e mais despido de tudo, inclusive de minhas vestes.

A irrealidade é, às vezes, mais real, mais convidativa.

Mas Morfeu me abandonava…

Não queria, mas precisava voltar. Voltar para o quê, não sabia. Mas sonhos são assim mesmo, quando acabam, deixam-nos na mão.

Não sei se voltei voando. Sei que acordei e queria retornar. Não à realidade, mas ao sonho onde nada tinha, nem mesmo roupas, ao tudo que lá tinha, naquele bar, naquela cidade, naquele sonho.

Mas acordei…sobrou somente o inebriante perfume da divas.

Vou voar de novo…


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018


Reprint: The witch shop.
Inspiration for “the shottle bop” do conto A Câmara do Tempo.
Algo que aconteceu de verdade, em Londres, em 1978.
Se existe ainda não posso afirmar. Porém nela estive, e foi real.

“WITCH   SHOP”

           (Shottle Bop)

1978…o frio úmido de Londres entrava em meus ossos. Ruas cinzas, edificações austeras e equilibradas, casacos, chapéus e sombrinhas. Chovia fino, nevoeiro ainda leve, o som dos Beatles no fundo traziam-me ao presente onde o passado ainda estava marcado em cada esquina, prédio, porta e ponte.

Tinha tido sucesso em minhas negociações. Queria conhecer uma Londres diferente, longe do caminho dos turistas, fora do burburinho, fora do comum. Existem cidades que trazem consigo mistérios e surpresas. Esta era uma delas.

Mais cedo havia encontrado uma loja de livros. Era magnífica. Cinco andares, departamentos diferentes, livros de países distantes, encadernados, decorados, arrumados. Filas de clientes ávidos por conhecimento se faziam em frente aos caixas. Filas para comprar aquilo que ilumina a alma. Só na Inglaterra.

Vi bares deliciosos. Sempre austeros, madeira em excesso, clima esfumaçado. Mulheres em seus terninhos ingleses, sombrinhas ao lado, sorvendo “pints of beer” quando não preferiam o velho escocês, “single malt, straight up”. Vi pequenas lojas com seu solitário funcionário vendendo aquilo que só se compra lá. Certificadas pela coroa, traziam em sua vitrine o diploma de fornecedores da rainha.

Procurava por algo único em lugares onde o único prevalecia. Nada de mais único se revelou quando em uma esquina deparei-me com uma joia arquitetônica. A edificação linda e de características vitorianas, com pequenas janelas e uma porta de madeira trabalhada com entalhes misteriosos, trazia bem em sua esquina uma loja de livros.


“Witch Shop” dizia o letreiro. Um atendente, vestido em veludo negro, era dono de um olhar escuro e sorriso enigmático. Com amável voz pediu-me que usasse meu tempo, pesquisasse e procurasse até por aquilo que não sabia. Prometeu-me que encontraria.

Entre livros gigantescos, alguns manuscritos e ornamentados com gravuras de qualidade estupefacientes me perdi , não sei por quanto tempo. Embevecido tentava decifrar citações em latim, escritas celtas antigas e outras de natureza cuneiforme. Não que as conseguisse decifrar, mas eram tão lindas e estranhas que faziam minha alma de artista entrar em devaneios que nem eu conhecia.

A loja era certamente diferente, algo de um passado distante, diria que provavelmente do século XVI. O mobiliário denso, pesado em mogno mostrava sinais do uso através dos anos . Era certamente elegante, mais do que isso, estonteante.

Os livros pareciam de edições únicas, como único era o espaço em que se encontravam. Um frio mais frio do que havia sentido do lado de fora, penetrava meu ser. Pensei que viajava no tempo, pensei que talvez já havia estado lá, em outras épocas, mas imaginava ser isso impossível. Era um homem do século XX, havia lido sobre religiões místicas, misteriosos costumes. Mas ali, naquela loja tudo que havia visto se materializava com a forma mais estranha, mais surrealista.

O frio aumentou...deveria comprar uma de suas preciosas mostras? Seria esta uma lembrança digna de presente para minha amada? Ou seria um passo para o desconhecido, um pacto com entidades, coisas, seres, que tomariam de mim a minha mais pura essência? Hesitei...e este momento de fraqueza  tirou-me do transe que de mim se havia  apoderado.

Deixei a “Witch Shop”, deixei-a para voltar dois anos mais tarde, fazendo o mesmo trajeto, procurando pela loja que havia dado a mim a experiência mais transcendental que havia vivido até então. Não a encontrei, nem sequer um traço. Não encontrei  o prédio, nem a esquina, ou mesmo o nevoeiro.

Se houve ou existiu não posso afirmar. Se esqueci isso, posso dizer que não. Se foi em outra dimensão, tempo ou em danças quânticas, jamais poderei explicar. Que pena...quando vou a Londres,  por lá tento ainda achá-la.

“Witch Shop” abra-me suas portas...mais uma vez...prometo que não a deixarei.



terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

SERPENTINA

Vesti a fantasia
Sonhei que era um pierrô
Conquistei a colombina
Que meu amor roubou

Com confetti eu sambei
Samba dolente, dia quente
A bela era mais bela
E eu, o amado dela

Na fantasia me perdi
Eu seus beijos me achei
Na serpentina fui feliz
E em suas cores me enrolei

Cantei, dancei, beijei
Pulei, amei, aquela bela
De olhar singelo, de rubros lábios
Que com seus beijos de mel

Me fez de amor morrer…


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

PÁLIDA E TRISTE


Seu coração era de ouro.
Sua vontade inabalável.
Mas achava que ninguém a amava…
Triste chorava.
Um choro mudo, lágrimas fugazes,
Queria amor, somente amor,
Queria um carinho, igual ao que dava…
E não recebia…
No mundo que não a amava, trabalhava.
Com carinho tecia, lindas obras de delicadas formas,
Mas, cheias de ternura.
Pois ali se expressava, não tinha para quem dizer,
Que também queria amar e ser amada,
Ter um pouco de calor, um pouco de amor.
Pálida chorou…
Triste ficou…
O coração partiu e com ele um partido mundo…
Por um momento sorriu.
Sorriso tão pálido quanto seu rosto triste.
Achou que a amavam…


Mas o mundo mentiu…

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Ninguém


Cheguei do trabalho.
Ninguém notou.
Fiz um café, não tinha gosto…
Passei pela sala, a TV ligada, ninguém me viu.
Fui ao quarto, tomei um banho.
Achei que me molhei.
Mas estava seco.
Voltei, olhei, perguntei…
Ninguém respondeu.
O telefone tocou…
Ninguém vai responder?
O rosto sério…vi uma lágrima rolar…
Ele se foi…
Quem?
Seu pai.
Mas eu estou aqui…aqui…ao lado
Mas ninguém viu…
Me olhei no espelho, não vi nada…
Se nada é minha imagem, então…
É verdade…
Morri.
E ninguém me falou nada…