sábado, 17 de fevereiro de 2018


VÔO PARA OUTRO MUNDO



Dormir é bom…

Melhor quando se sonha, muito melhor quando o sonho e fantástico.

Dizem os espíritas que, quando dormimos, podemos nos desprender de nossos corpos e viajar por dimensões outras. Há sonhos com nexo e também os desprovidos do mesmo. Quando ele é uma história completa não interessa se é real ou fantasioso.

É um verdadeiro sonho sonhá-lo…

Sonhei.

Era um sonho de um sono longo, numa noite quente, cama macia. 

Macia como os braços de uma amada dos quais não queremos sair. 

Nele mergulhei…e senti-me leve.

Voei pela janela, nem roupa tinha. Não sentia o vento, não sentia frio.

Mas voei…por cima de fios, debaixo de árvores, alto no espaço, baixo ao rés do chão. Voei rápido, voei lento, espiralando ao redor de mim mesmo. Ia aonde queria.

Vi uma cidade ao longe. Era pequena, Iluminada por lampiões à gás. Casas de madeira, tijolos nas ruas, cestas de flores nas janelas…um presépio.

Lá estava. Continuava nu em pelo, mas ninguém notava, nem eu mesmo.

As portas de um bar se abriram, um “pub” à inglesa, convidativo, barulhento e alegre. Pedi um “straight up”. Nunca tomei um escocês tão bom. Descia como o vento, subia como um torpedo.

Não sabia que poderia me embebedar em um sonho, mas neste, sendo tão real, tinha os mesmos efeitos dos bares da realidade.

Pedi outro…

As divas da noite se acercavam. Exalavam perfumes que entorpeciam, seduziam. Cantavam com vozes de sereias.

Me perdi…não mais queria voltar.

Na realidade deste mundo tudo era certo e tudo era errado. Errado quando pensava que de onde vim era certo. Certo, quando naquele lugar me sentia mais perfeito, mais correto e mais despido de tudo, inclusive de minhas vestes.

A irrealidade é, às vezes, mais real, mais convidativa.

Mas Morfeu me abandonava…

Não queria, mas precisava voltar. Voltar para o quê, não sabia. Mas sonhos são assim mesmo, quando acabam, deixam-nos na mão.

Não sei se voltei voando. Sei que acordei e queria retornar. Não à realidade, mas ao sonho onde nada tinha, nem mesmo roupas, ao tudo que lá tinha, naquele bar, naquela cidade, naquele sonho.

Mas acordei…sobrou somente o inebriante perfume da divas.

Vou voar de novo…


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