ABELIÉZER STRIKES AGAIN
(da série Abeliezer, o agente do Mossad)
Era uma manhã fria. A bruma espessa descia sobre Canada Gardens.
Em seu
Mercedes, o intrépido agente Abeliézer levava sua bela apotecária para seu boticário nas montanhas.
A densa
bruma fazia dos transeuntes espectros a se moverem pelas ruas. Se este Canada não fosse no Brasil diria que a tundra trazia seus habitantes
do norte para assombrarem as almas do sul.
Abeliézer não se importava. Para ele bastava sua
indelével amizade a Bibi e o amor da apotecária. Por eles enfrentaria até os camelos do inferno.
O som de um
rotor possante e o vento que ele trouxe indicavam o pouso iminente de um helicóptero. A nave estranha abre suas portas e nosso agente ouve o
chamado em hebraico. Beija sua bela,sussurra-lhe algo
ao ouvido e desaparece na bruma com a agilidade nata dos agentes secretos. Suas
fiéis abelhinhas eletrônicas o seguem em voo frenético e enfeitiçado.
No dia
seguinte, numa isolada área do Iran desce de para-quedas de
seda negra com escudinho do Mossad. Cercado por suas fiéis escudeiras, monta um breve acampamento à alguns metros de uma interseção viária, abre seu laptop e sincroniza as
abelhinhas dando-lhes as ordens de patrulhar a rodovia. Sabia que por alí passaria o líder do programa nuclear dos habibes
persas. Bibi lhe havia incumbido a missão de eliminá-lo do planeta, coisa fácil para Abeliézer.
Para o
sucesso da operação o Mossad havia adquirido um Fiat
Pulga. O tal cinquecento, mas aquele de outrora. A geringonça ainda andava Os cortes de verbas haviam acontecido porque
o Trump perdeu a eleição e o Biden não gosta de dar dinheiro para Israel. Abeliézer entendia. Afinal, havia também votado, em vão, no Presidente, mas isto não o impediria de completar a missão. O fim de Fakhir Azedo, o cientista, estava próximo. Dois agentes recrutados na Sicília estavam ali para ajudá-lo à pilotar o Fiat. Eram os irmãos Carabinni Pistolettis, sicários que haviam sido despedidos da Máfia por causa daquele juiz da operação manu politi. Aquela praga de juiz gerou um
desemprego maciço na bela península. Se a coisa ficasse preta os Carabinni o ajudariam a
fugir.
Como o tal
cientista estava demorando muito, os três resolveram ir até o SevenEleven mais próximo e comer um snack. Afinal,
ninguém é de ferro e Abeliézer estava com a barriga vazia. Só havia tomado umas 20 cápsulas de própolis, seu desejum favorito. Lá chegando pediu um falafel. Os
sicilianos se recusaram a comer. Para eles só existia tomate. “Ma que? Non c’é pomodoro? Questi habibes sono tutti imbecili”, assim
falaram.
Uns dez
falaféis depois ouviram uma caravana chegando. Não era motorizada. Eram 10 camelos abarrotados de persas
portando metralhadoras, RPGs, uma caixa de alcorões e uma bandeira do Che Guevara.
(Nunca se soube o que esta bandeira fazia ali)
Programou as abelhinhas e soltou as bichinhas nos habibes. Explodiu habibe para todos os lados, junto, o tal cientista que gritava Alahu Akbar até que uma abelha entrou por um orifício disponível e o mandou para o beleléu.
Os tais
iranianos eram danados. Imediatamente acionaram seus sistemas de defesa. Era uma
luta contra o tempo. Abeliézer e os irmãos Carabinni fugiam pelo deserto em alta velocidade (mais ou
menos 20Km/h) correndo para chegar ao “rendez-vous point”, onde seriam
salvos pela força aérea israelense. Mas os sicilianos não entendiam de “rendez-vous” como ponto de encontro, estavam
mais familiarizados com os “rendez-vous” das putanas e para lá foram esculhambando os planos de fuga do nosso herói. Na verdade ele sabia que conseguiria escapar, mas se sua
amada apotecária soubesse que foi para um “rendez-vous”…aí a morte seria certa.
Abeliézer deixa seus companheiros sicilianos se esbaldando com as
belas e cabeludas habibas, veste seu traje de homem voador e se manda na direção do caça stealth da Embraer que o
levaria de volta.
Mais uma
missão cumprida. Fahkir Azedo, o cientista, havia sido eliminado.
Tão alegre estava que chegou ao Canada Gardens cantando Hava
Naguila. Ao adentrar o boticário viu, sob a porta, uma mensagem de
Bibi e mais uma medalha para sua coleção.
Sorria feliz
até quando levou uma porretada no alto da sinagoga. Sua bela
havia recebido uma foto dele com os dois sicilianos no tal “rendez-vous”
iraniano.
Já dizia minha falecida nona… “Não se pode confiar em italiano do sul”…



Hava Naguila.....Fakir Azedo e stealth fighter......ao melhor estilo 007!
ResponderExcluirValeu, Bro, divertida estória/1