sexta-feira, 21 de agosto de 2020

 

O TORQUEMADA TUPINIQUIM

 

Gastamos 600 anos para produzir um notável.

Tinha que ser um notável infame, mas afinal, aqui no país das maravilhas, de homens que são mulheres, de mulheres que são homens, por quê não?

Um título supremo, um dos onze bestas quadradas que se intitulam juízes sem jamais terem sido.

Na cleptocracia em que vivemos tínhamos de produzir anomalias que ficarão na história. Também, tendo isto se iniciado na mentira do descobrimento, descobrimos que não é necessário ser o que dizemos ser, basta sentarmos em uma cadeira, com toga igual às asas de um abutre qualquer e passarmos à vomitar impropérios jurídicos sem base alguma. Somente um palavreado rebuscado, confuso, permeado de adjetivos inaplicáveis e…voilà…temos jurisprudência tupiniquim.

Lindo. Verdadeiras obras de arte. Infames, deletérias e, via de regra, covardes.

Pois 600 anos depois de Tomás de Torquemada temos novo inquisidor.

Uma criatura que julga um processo que ele mesmo criou. Um processo supremo de censura. Uma aberração jurídica digna das maldades que seu predecessor do século XV o qual as distribuía justificadas pela insana inquisição que ele mesmo interpretava julgava e condenava.

Alice na sua doçura infantil lidou com o chapeleiro maluco e escapou da rainha cortadora de cabeças. No pais das maravilhas não escaparia ao nosso Torquemada. Aliás nada escapa aos monstros togados. Julgam, sem terem sido juízes, criam leis, interpretações constitucionais que afrontam a constituição, mandam prender sem processo, acusação ou base meritória. Têm medo somente de uma coisa:

A palavra.

Sim, pois esta que sai de nossas bocas censuráveis segundo o supremo ser, são crimes e não liberdade de expressão.

Votam por uma sociedade muda.

Como a Rainha de Copas…votam por cortarem-lhes as cabeças!

Como Torquemada, que sejam queimados vivos.

E assim a terra onde Cabral aportou, em capitanias dividida, continua à distribuir benesses para os cleptocratas hereditários da nação, à custa do povo bobo que ainda não se revoltou por falta de culhões.

E viva as Anitas, os Pablos e os globolóides da mídia de papagaios falantes de besteiras encomendadas… e, abaixo aqueles que falam verdades, pois deles não será o reino do Brasil.

 

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