terça-feira, 4 de fevereiro de 2020


A NOITE


A noite chega, inexorável, escura, sombria.
Na sua tristeza intrínseca pinta o dia de negro. Nem a luz da lua é capaz de esconder seus mistérios.
O mundo mágico do negrume intenso, do salpicado argênteo das sombras misteriosas, indefinidas, perdidas em formas e vultos tenebrosos aguça o medo do desconhecido.
Se o dia traz a alegria a noite traz a incerteza. No despertar se vê a vida continuar. No entorpecer do sono, o sopro da morte.
A noite, quando chega, deixa o sol nela deitar brincando com as cores como se fosse sua última vez. Mas como este volta ao amanhecer, com matizes mais leves, e pinta com o ouro perene que desperta a vida, ofusca a escuridão que nela insiste em ficar.
Um dia certamente a noite será eterna, como negro é o espaço, como escura é sua matéria.
Na morte do dia, viverá a noite.

Na escuridão, se perderá a luz.
Sem a luz da vida sobrará a morte.
Irreversivelmente.
Imutavelmente…


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