A PRANCHETA
E A REALIDADE
Gênios urbanistas, projetando à distância, sem verem o sítio natural,
houveram por bem dar a Belo Horizonte um traçado de Washington ao pé da Serra
do Curral. Assim, criaram ruas e avenidas que se encontravam em aclives ou
declives dignos dos jogos olímpicos de inverno.
Menos mal, no seu traçado original elas pelo menos se encontravam.
Outros gênios que se seguiram apresentavam seus projetos em papel,
mostrando sequentes avenidas expandidas do conjunto original. Os departamentos
de aprovação municipal chancelavam estas joias urbanas.
Com elas temos vias que se “encaixam” com outras 30 metros abaixo.
Avenidas sobre córregos e terrenos doados ao patrimônio público em brejos ou
grotões.
Pior ainda, permitiram os adensamentos desordenados, antigas favelas,
hoje batizadas de aglomerados, como se o mero trocar de palavras as desse
“status” maior.
Há solução?...Sim há.
Em 2516 um arqueólogo examinando os restos de uma cidade destruída por
um artefato atômico, conclui que este era o sítio urbano mais idiota da terra.
Haviam esquecido da topografia, das curvas de nível, dos acidentes geográficos,
dos cursos naturais, do sítio natural.
A bomba havia feito um bem.
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