ESCATOLÓGICO
Escafedeu-se…
Sumiu no horizonte como se o mundo acabasse.
Velocidade da luz, um fugaz instante e ele coprologicamente
esvaneceu-se…
Não sabia amar, não sabia sorrir, não sabia nada.
Era um ser que se não tivesse existido não seria notado. Se não
fosse, não teria sido…
Dizem que há mais amor no mundo do que se pensa. Por isso uma inocente
criatura por ele se enterneceu.
Não o via como era, pensava ver um interior que só em sua cabeça
existia, pois o dito, se interior tinha, era escatológico.
Não era lógico, sequer metodológico, quiçá morfológico. Mais para zoológico,
pois a um bicho parecia.
Mas ela não o via. Assim, mesmo seus versos sujos e depravados soavam
como o canto de pássaros, num mundo ilógico, meio necrológico.
Mas, preso em sua mente fecal não soube amá-la.
Covardemente fugiu, correu e…nunca mais voltou.
A doce chorou. De seus olhos cegos lágrimas em rios turbulentos
verteram.
Mas ela,
Nada perdeu…
Pois nunca realmente o viu, nem ouviu.

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