BOLSAS & BOLSAS
(baseado na história real de uma moça que fazia bolsas)
Gostava
de trabalhar.
Vivia à inventar
formas de fazer dinheiro e, quando o fazia, guardava.
Partido
bom. Bonita, cheia de vida, decidida e carinhosa.
Mas não
se casou bem.
Foi
deixada só, com duas filhinhas.
Para criá-las
o fez com carinho e determinação. Fazia bolsas para o ganha pão.
Lindas,
chiques, criativas. Bolsas para tudo e para todos.
Assim
caminhou, independente, dona de si, empresária. No processo, nunca perdeu a
ternura.
Viu o
mundo passar. Enquanto trabalhava,outros se locupletavam do erário público.
O país em
que morava era uma salada de idiotices. Mal temperadas.
As bolsas
que fazia, com suor e honestidade, a ajudaram
a criar suas filhas.
Via, lá fora
outras bolsas, também criadas, não para gerar trabalho, mas para distribuir aos
inúteis o que não era deles e sim de quem trabalhava.
No país
maluco em que vivia a farra de bolsas era tamanha. Trabalho…um punhadinho.
No
processo embolsavam parte do que bolsas davam.
E, com
bolsa pra lá, bolsa pra cá, lá ia o trem da alegria…resultado… nenhum tiquinho.
Somente miséria de bolsas bobocas, para todos os inúteis gostos, até para ladrão,
ou qualquer bandidão.
A moça
das bolsas que trabalhava muito até tinha simpatia com aqueles que nada tinham,
só não era simpática ao ganhar sem trabalhar, ao ter sem merecer, ao receber para
votos trocar.
Pois na
terra de loucos, alguns mais loucos ainda achavam que o estado tinha de dar e não
de propiciar.
Pois não
propiciavam trabalho. Distribuíam o ervanário, que deles não era.
A moça
das bolsas rica ficou.
Os que
ganhavam bolsas, mais pobres ficaram.
Com
trabalho se ganha, adversidades se vencem, fazem-se famílias, criam-se
alegrias.
Na subvenção
da desgraça, somente a tragédia de um povo que por migalhas se vende.
Melhor
seria lhes dar trabalho para de dinheiro as bolsas encher.
Melhor JÁ
IR se acostumando!
Um mundo
melhor pode estar raiando.

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