sábado, 6 de outubro de 2018


BOLSAS & BOLSAS

(baseado na história real de uma moça que fazia bolsas)


Gostava de trabalhar.
Vivia à inventar formas de fazer dinheiro e, quando o fazia, guardava.
Partido bom. Bonita, cheia de vida, decidida e carinhosa.
Mas não se casou bem.
Foi deixada só, com duas filhinhas.
Para criá-las o fez com carinho e determinação. Fazia bolsas para o ganha pão.
Lindas, chiques, criativas. Bolsas para tudo e para todos.
Assim caminhou, independente, dona de si, empresária. No processo, nunca perdeu a ternura.
Viu o mundo passar. Enquanto trabalhava,outros se locupletavam do erário público.
O país em que morava era uma salada de idiotices. Mal temperadas.
As bolsas que fazia, com suor e honestidade,  a ajudaram a criar suas filhas.
Via, lá fora outras bolsas, também criadas, não para gerar trabalho, mas para distribuir aos inúteis o que não era deles e sim de quem trabalhava.
No país maluco em que vivia a farra de bolsas era tamanha. Trabalho…um punhadinho.
No processo embolsavam parte do que bolsas davam.
E, com bolsa pra lá, bolsa pra cá, lá ia o trem da alegria…resultado… nenhum tiquinho. Somente miséria de bolsas bobocas, para todos os inúteis gostos, até para ladrão, ou qualquer bandidão.
A moça das bolsas que trabalhava muito até tinha simpatia com aqueles que nada tinham, só não era simpática ao ganhar sem trabalhar, ao ter sem merecer, ao receber para votos trocar.
Pois na terra de loucos, alguns mais loucos ainda achavam que o estado tinha de dar e não de propiciar.
Pois não propiciavam trabalho. Distribuíam o ervanário, que deles não era.
A moça das bolsas rica ficou.
Os que ganhavam bolsas, mais pobres ficaram.
Com trabalho se ganha, adversidades se vencem, fazem-se famílias, criam-se alegrias.
Na subvenção da desgraça, somente a tragédia de um povo que por migalhas se vende.
Melhor seria lhes dar trabalho para de dinheiro as bolsas encher.
Melhor JÁ IR  se acostumando!
Um mundo melhor pode estar raiando.

Nenhum comentário:

Postar um comentário