quarta-feira, 5 de setembro de 2018


NEGRUME

Era negro, escuro, preto…
Não se via nada…
Nenhuma forma, nenhum vulto.
Na negritude, o silêncio…
No silêncio, o medo, o pavor.
Estertor de mil serpentes negras, de escuros olhos,
Apavoradas em mudos silvos de horror…
Terror negro, em bocas ornadas de dentes sem reflexo.

Apavorei
Temi pela aniquilação total.

Uma negra morte, um fim sem visão…
Um ver sem enxergar.
Oh! negro mundo, por que não me dais a luz?
Somente a matéria escura respondia…
Sem voz, sem som.
Ouviam-se os ruídos surdos de um mouco mundo,
Negro mundo…e…no roto do escuro espaço…
Perguntei…

Quem sou?
Por que negro estou?

O ruidoso silêncio me ensurdeceu,
Uma luz escura brilhou em fugazes matizes, negrume infindo.
A tinta preta que me cobria,
Da cabeça aos pés… negra era…negra era…
No negral lúgubre e sinistro,
Me senti maldito!
Oh! negruminosa criatura que do umbral voltaste…
Responda a mim mesmo…
Quem sou este negro eu?

Sois a sombra, nada mais do que a sombra…
Respondeu…




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