segunda-feira, 23 de julho de 2018


MOTO CONTÍNUO


Repeteco…á pedidos

Dedicado à Sheila van Leyen, no dia do amigo {julho 2017}

1.
Nasceu pequeno, chorando, pedindo só amor.
Um pedaço de dois, cheio de carinho e calor,
Ali, sozinho, com o mundo esperando.
Um senhor daquele espaço, à procura um abraço.
Passa o tempo, passa a vida, passa sempre pra frente…
E, como um trem, passa dolente…
Vai devagar, para aquele pequeno,
Que sem paciência quer ser logo velho.
Não sabe ainda, que mundo bonito, também tem veneno.        
Não ouve seus pais, não gosta do espelho.
Quer o vento tomar, empurrar o tempo, sem tempo…
Pro tempo esperar…

Passa o tempo, sopra o vento…
Passam amores, desamores.
Ficam beijos, ficam lágrimas…
Choram sonhos, sonham flores.

2.
Num momento do tempo, soprou-lhe um vento,
De momentos felizes, alegrias e alentos.
Amores achados, amigos amados,
Embevecido ficou, inebriado de amor…
Em falsos abraços achou seu espaço.
Não era o de fato, mas sim sem calor,
E dos amores verdadeiros, dos acalentos ardentes,
Ficou só o gelo, da falsa ilusão…
Que o mundo de então era só perdição,
Sem o brilho da luz, de uma estrela cadente.

 Passa o tempo, sopra o vento…

Alegrias e sorrisos,
Ficam memórias, ficam brilhos,
Choram amores e amadas…

3.
E então o tempo com seu vento,
No trem da vida, ficou velho, ficou lento.
Mas o pequeno menino, de pressa apressada,
Mais velho ficou, perdendo, com a pressa,
O amor que passou…
Chorou, não se achou, seu corpo vergou,
Amigos perdidos, amores fugidos.
Nas lágrimas vertidas, somente o suspiro,
Num copo de um bar, num brinde sem gosto,
Num enterro do amigo, chorou de desgosto…


Passa o tempo, passa o vento,
Chora a alma, choram dores,
Amigos achou, de todos fugiu.
Choram sonhos, choram amores.

4.
Mais frio no tempo, seus brancos cabelos,
Voam ao vento procurando modelos,
Que ainda lembrava, menino, brinquedos,
Nas barras das saias de quem sempre amou,
Que com alvos cabelos com carinho o beijou,
Acariciou e deixou, a saudade infinita,
Que sua alma criança em carícias infindas,
Marcou de tristeza, com aquela beleza,
Que agora sabia, não mais voltaria,
Num pranto de dor, chorou e sentiu, perdão lhes pediu…

Passa o tempo, passa o vento,

Esfria a alma e o coração.
No velho da vida, sentiu esperança,
Choram sonhos, choros de criança.

5.
No ocaso tão triste, da vida partistes,
Deixando uma prece, achou que sorristes,
Mas quando perdido encontrastes,
Uma outra porta abristes,
Para nela saber porque tu existes,
Pois a vida querido, é uma coisa partida…
Em pedaços de dor e em bocados de amor…
Nunca acaba, só passa…
Para outro pequeno, com seu choro escaleno,
Fugir do veneno, que o tempo sereno, certamente trará.

Passa o tempo, passa o vento,
Nasce outro lindo rebento,
Ficam amores, ficam amigos,
Sonham sonhos infinitos, sonham sonhos mais bonitos…



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