domingo, 29 de outubro de 2017

A SHORT STORY OF HOW A POLITICIAN IS MADE

Considerações sobre criaturas que não deveriam existir



Nasceu…berrava feito um bezerro desmamado. Na sua ânsia por ter tudo conseguia mamar em ambas as tetas simultaneamente. Empurrava os irmãos.

Gritava quando não lhe davam o que queria. Tomava tudo dos outros, na escola, dos amigos, e até dos inimigos.

No jogo de gude roubava as bolinhas, ou trocava as suas velhas pelas novas dos amigos. Dizia que era um óbulo pela amizade que lhes tinha.

No futebol de rua marcava faltas que não existiam, dizia gol quando não era, levava a bola, que não era sua, para casa que não tinha. Falava feito pobre na chuva…

Na escola nunca estudou. Colava tudo e de todos. Fazia bullying, era um chato de galocha.

Cresceu inútil. Namorava mal. Irritava as meninas. Achava-se o bom geral e com isso pensava que as moças fariam o mesmo. Ledo engano, casou com um trubufú. Ainda não havia entrado para a política.

Os irmãos, engenheiros, médicos, úteis à sociedade olhavam para ele e pensavam: Será que servirá para alguma coisa?

Em política ficam os que não servem para nada. Todos que almejam algo na vida, que têm visão de um futuro melhor, não somente para sí próprio, mas também para a humanidade, se dedicam aos estudos, à obra de se construir algo, que, por menor que seja, significa um passo adiante , uma realização real, uma satisfação de dever cumprido.

Os que almejam a política lá chegam com um único objetivo…locupletarem-se. Por as mãos no poder, mandar e desmandar, fingir que o fazem para o povo quando na verdade o fazem para eles mesmos.

Dizia um grande político (claramente inútil por excelência) que esta criatura, o politiko (em grego) pensa em primeiro lugar naquilo que é bom somente para ele, em segundo, o que seja bom para seus grandes financiadores, em terceiro para os que o sustentam no poder, em quarto para os que são seus laranjas e em último para o povo que o elegeu. Afinal, estes últimos nada são do que meros idiotas úteis…

Como são obstinados na arte de chegar ao poder quando lá chegam se agarram como morféticas sangue-sugas (leaches), vampiros famintos pela seiva da vida que sugam continuamente.

Nosso herói um dia lá chegou. Ao chegar já havia cometido toda a espécie de falcatruas, obviamente executadas pelos seus laranjas e asseclas. Dizia-se dono da verdade mas quando acuado não sabia de nada e de nada sabia, como nunca soube e jamais saberia (esta parte era a única verdade).

Quando chegou, mudou de mulher. Jogou fora a mocréia do passado e arranjou uma assanha criatura de peitos pontudos, bonita e baranga, mas gostosa. Melhorou a imagem…

Traiu à todos, especialmente aos que o elegeram. Afinal, estes bocós lhes davam os votos apesar de tudo. Bastava, na época das eleições, distribuir uns sanduíches de mortadela, e usar seu velho slogan…rouba, mas faz…

Achava-se imortal. Voava de graça, comia e bebia do bom e do melhor, tinha pilhas de dinheiro em colchões, malas, bancos suíços e até enterrado no sítio que amava, morava, visitava, mas não era seu. Às vezes negociava um apartamento, um imóvel, que também não eram seus, para pagar uns advogados.

Esta era a parte que ele não gostava. Como pagar causídicos se ele não ganhava nada? Como espantar o chato do jornalista? Já havia casado com uma. Pensou que quando jogou o trubufú fora e pegou a baranguinha do jornal das seis estaria protegido. Mas ela, a danadinha, queria mesmo era dinheiro. Como ele não o tinha, arranjou um empreiteiro para lhe dar a mesada pedida.

Apesar de sua pretensa imortalidade morreu….morreu de câncer, é claro. 

E no rabo…

E foi no fiofó que levou a primeira espetada do tridente de Belzebú, lá nos infernos para onde foi e não ficou. Pois o dito era um perfeito emissário do Diabo. Melhor arregimentador de almas não existia. Após algumas espetadas dolorosas foi mandado de volta para fazer o mesmo…ser político. Uma coisa é certa, o esperto Tinhoso não o queria em suas paragens…criava muito caso.

Assim,

Nasceu de novo…e berrava mais ainda.

Desgraça pouca é bobagem…


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