sexta-feira, 18 de agosto de 2017

SOB O CHÃO DE ESTRELAS


Os vagalumes cintilavam como as estrelas do firmamento. Em sua dança intermitente confundiam-se com os reflexos prateados dos astros nas águas calmas de um regato.

Veios de prata ardente, luminosa, calma e deslumbrante. O mundo se coloria em matizes argentêos.

Olhou e sonhou.

Sonhou com a amada de cabelos de ouro. Podia ver suas tranças se confundindo com o prateado das águas. Chegou a vê-la, nua, como uma sereia, seduzindo-o com cânticos de doçura melíflua.

Alí ficou, por longos momentos. Não queria que terminasse. Queria somente que o tempo parasse. Os ponteiros do relógio em rigidez frígida respondiam ao seu pedido suplicante.

Deliciou-se com o congelar, com a monotonia do estático. Mas este, era mais lindo do que esperava. O corpo escultural da bela musa, despida, registrado como uma sinapse fotográfica alí estava, parado, preso ao comando do tempo imóvel.

Ousou pedir-lhe uma resposta.
Ousou dirigir-lhe a palavra.

Sua voz rouca, trôpega, tremulava… hesitante. Não tinha certeza de que seria bem ouvido.

Sussurrou…

Como um cristal de gêlo se espedaçando o tempo andou…
Moveu-se lento, Seguia o despertar da musa, da sereia de seus sonhos, agora em forma real. Deslumbrou-se mais ainda. Em êxtase orgásmica, tremeu…

O corpo nú. As formas divinas. O perfume inebriante.
Havia música no ar. Não era um cântico, mas os acordes divinos de um Mozart apaixonado. Entremeavam-se entre o cintilar das estrelas no firmamento, seu reflexo nas águas e o bailar dos pirilampos.

Disse que a amava…

Sentiu que era olhado. Notou o lilás fulgurante de sua íris. O brilho apaixonante, a sedução irrefutável. Em um instante eterno se entregou.
Dele não havia mais resistência. Dele não havia mais incertezas. Somente uma paixão fulminante. Se amar em um instante era tão inebriante, então, amar para sempre seria eternamente divino.

Anjo em forma de mulher. Diva Iluminada pela prata das estrelas. O ouro de seus cabelos emolduram seus olhos de doçura infinda.

Achou-se petrificado. O gêlo frígido havia se apossado de seu corpo. Estático a via se aproximar, sem saber o que fazer, sem saber sobreviver.
Pensou estar morrendo de amor.

Dela, ouviu somente uma frase:
“Querido, sou só sua…faça de mim o que quiser…”

De dentro de seu coração chamas de um vulcão adormecido acordaram. Sua cabeça rodou, seus pensamentos em espirais quânticas o levavam para um mundo de estrelas à seus pés.

Beijou-a na face. Um beijo de um amor profundo. De respeito, carinho e ternura.

Não a tocou. Era linda demais.

Se apaixonou para sempre, e assim ficou, mesmo quando um dia ela partiu e o deixou só, naquele chão de estrelas.

Não havia sonhado, tinha sido real.

Sereia dourada colorida pela luz prateada das estrelas, volte para mim…
Sou seu…somente seu…eternamente.






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