quarta-feira, 2 de agosto de 2017

REFLEXÕES SOBRE ARQUITETURA NO BRASIL




Andrea Paladio, o mestre italiano, criou entre outras, algumas máximas sobre arquitetura.

O equilíbrio das massas estabelecido pelos planos horizontais definiam como se tratava a base de uma edificação, seu “piano nobile” e seu plano superior. Poder-se-ia dizer que teriamos os pés, o corpo do meio e o chapéu.

A entrada era enfatizada com tratamento nobre em relação à outras secundárias. O equilíbrio simétrico á partir do eixo vertical inicia a procissão de eventos, janelas, portas, aberturas, detalhes decorativos  dispostos em harmonia. O segmento áureo incentivado.

A arquitetura neoclássica e seu periodo pré-modernístico continuava fiel às regras das proporções, mesmo quando o art deco surgiu e abriu  portas para outras interpretações.

Corbusier lançou bases novas e esculturais, com expressões de forma livre, utilizando-se do concreto em abundância. Niemeyer, seu fiel discípulo as levou ao máximo, incentivando sempre a forma no lugar da função.

Forma e função, dizia Frank Lloyd Wright, não se dissociam. Outro mestre, Mies Van Der Rohe  exagerou na simetria absoluta. Haviam os que partiram para um brutalismo sem prescedentes. Paul Rudolph é uma das maiores expressões do gênero.

Niemeyer influenciou o movimento modernista brasileiro com sua maior obra, o conjunto arquitetônico da Pampulha. Em Brasília criou novas pérolas. Cansou-se com o tempo e se tornou repetitivo. Entretanto, nunca deixou de se guiar pela forma em primeiro lugar.

As expresões brutalistas (sede da Petrobrás, MASP, entre outras) envelhecem mal.  Concreto não é um material de beleza contínua.

Por grande influência de seu sucesso como arquiteto, a obra de Niemeyer subjugou a arquitetura colonial brasileira em seu renascimento moderno. Criações como as Sérgio Bernardes passaram ao largo sem serem capturadas pelas novas gerações.

As escolas se esqueceram de Paladio. O art deco passou como uma flexa. O neo-colonial se perdeu nas cópias infelizes dos bons projetos.

Sobrou o que?  Talvez, subconscientemente, inspirados por um modernismo francês, o tal que gravitava ao redor de Corbusier, e, com uma pitada de Bauhaus, sem se saber por que, surge o caixote brasileiro. Com base ruim, sem definição de entrada, sem um tôpo, um telhado, um arremate definidor e pior ainda, sem o piano nobile.

Não é uma arquitetura musical pois nem piano tem. E monótona, incolor, insosa, desinspirada.

Até Jacques Tati, no seu imortal Mon Oncle, se sentiria frustrado tentando entrar em uma destas edificações.

Talvez seja a hora de nossas escolas descobrirem que arquitetura não é copista. Esta dirige sim, por sua influência estética, o comportamento humano. É feita para agradar aos olhos, quaisquer que forem. É, mais ainda, feita para resolver a função a que se destina, em primeiro lugar. Em segundo, mas não menos importante é para dar forma ao que normalmente seria disforme se não fossem os bons arquitetos.





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