REFLEXÕES SOBRE ARQUITETURA NO BRASIL
Andrea Paladio, o mestre italiano, criou entre outras,
algumas máximas sobre arquitetura.
O equilíbrio das massas estabelecido pelos planos
horizontais definiam como se tratava a base de uma edificação, seu “piano nobile” e seu plano superior.
Poder-se-ia dizer que teriamos os pés, o corpo do meio e o chapéu.
A entrada era enfatizada com tratamento nobre em relação
à outras secundárias. O equilíbrio simétrico á partir do eixo vertical inicia a
procissão de eventos, janelas, portas, aberturas, detalhes decorativos dispostos em harmonia. O segmento áureo
incentivado.
A arquitetura neoclássica e seu periodo pré-modernístico
continuava fiel às regras das proporções, mesmo quando o art deco surgiu e abriu portas para outras interpretações.
Corbusier lançou bases novas e esculturais, com
expressões de forma livre, utilizando-se do concreto em abundância. Niemeyer,
seu fiel discípulo as levou ao máximo, incentivando sempre a forma no lugar da
função.
Forma e função, dizia Frank Lloyd Wright, não se
dissociam. Outro mestre, Mies Van Der Rohe exagerou na simetria absoluta. Haviam os que
partiram para um brutalismo sem prescedentes. Paul Rudolph é uma das maiores
expressões do gênero.
Niemeyer influenciou o movimento modernista brasileiro
com sua maior obra, o conjunto arquitetônico da Pampulha. Em Brasília criou
novas pérolas. Cansou-se com o tempo e se tornou repetitivo. Entretanto, nunca
deixou de se guiar pela forma em primeiro lugar.
As expresões brutalistas (sede da Petrobrás, MASP, entre
outras) envelhecem mal. Concreto não é um
material de beleza contínua.
Por grande influência de seu sucesso como arquiteto, a
obra de Niemeyer subjugou a arquitetura colonial brasileira em seu renascimento
moderno. Criações como as Sérgio Bernardes passaram ao largo sem serem capturadas
pelas novas gerações.
As escolas se esqueceram de Paladio. O art deco passou como uma flexa. O
neo-colonial se perdeu nas cópias infelizes dos bons projetos.
Sobrou o que?
Talvez, subconscientemente, inspirados por um modernismo francês, o tal
que gravitava ao redor de Corbusier, e, com uma pitada de Bauhaus, sem se saber
por que, surge o caixote brasileiro. Com base ruim, sem definição de entrada,
sem um tôpo, um telhado, um arremate definidor e pior ainda, sem o piano nobile.
Não é uma arquitetura musical pois nem piano tem. E
monótona, incolor, insosa, desinspirada.
Até Jacques Tati, no seu imortal Mon Oncle, se
sentiria frustrado tentando entrar em uma destas edificações.
Talvez seja a hora de nossas escolas descobrirem que arquitetura não é copista. Esta dirige sim,
por sua influência estética, o comportamento humano. É feita para agradar aos
olhos, quaisquer que forem. É, mais ainda, feita para resolver a função a que
se destina, em primeiro lugar. Em segundo, mas não menos importante é para dar
forma ao que normalmente seria disforme se não fossem os bons arquitetos.
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