MANY MOONS AGO
(considerações sobre
a relatividade temporal e o ocaso da vida)
Há muitas
luas atrás, quando jovem, via o tempo passar pachorrento, sem a pressa das
horas.
Relógios,
cujos ponteiros ornados em badaladas sonoras mostravam o dia chegar à noite, e
esta, à esperar os raios do sol da manhã.
Acho, que
com o tempo, e o tempo vai sempre em frente, estes momentos se tornaram mais rápidos.
Seria isto uma impressão somente minha? Havia relatividade no tempo do jovem em
relação ao maduro da idade?
Esse tempo
passou e outro chegou. Chegou veloz, diferente, sem os jogos da alegria, sem os
beijos do amor. Chegou cibernético, nervoso, com outras bricadeiras, sem o
charme do passado mas com raios pulsantes do presente.
Dizem que a
vida de um minuto ser é curta, mas para este, é tão longa quanto a nossa,
relativamente. E relativamente o jovem se acha viver devagar à divagar quando
mais velho será, e por que lá não chega, mais depressa?
E, no
ocaso, quando lá está, descobre que as noites e as manhãs quase se fundem, em uma
velocidade tão grande que, de repente, nos vemos à porta
da porta que dizem se abre para outras, em dimensões diferentes, onde o tempo não
passa, só
existe.
Muitas luas se passaram, muitos sóis me
alegraram. Por muitas portas já passei mas não ainda por esta que está por
chegar.
Não sei se tenho a chave para abrí-la,
nem sei se se abre sozinha. Mas sei, que pode estar mais perto do que penso,
pois quando penso, já estou lá, em outra manha ou noite, à esperar pela próxima,
com a relatividade de meus anos.
Quando ela abrir o meu tempo, os tempos de todos, das
criaturinhas e de nós mesmos, serão iguais entre sí e a
relatividade de cada um deixará de existir, ficando o relativo de que tudo não
passa de um piscar de olhos, um pulso de um pulsar, um quark, um bósom, um microcosmo
qualquer à
brincar com o macro irmão, como se o mesmo fosse o próprio.
Many moons ahead…
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