segunda-feira, 7 de agosto de 2017

MANY MOONS AGO
(considerações sobre a relatividade temporal e o ocaso da vida)

Há muitas luas atrás, quando jovem, via o tempo passar pachorrento, sem a pressa das horas.

Relógios, cujos ponteiros ornados em badaladas sonoras mostravam o dia chegar à noite, e esta, à esperar os raios do sol da manhã.
Acho, que com o tempo, e o tempo vai sempre em frente, estes momentos se tornaram mais rápidos. Seria isto uma impressão somente minha? Havia relatividade no tempo do jovem em relação ao maduro da idade?

Esse tempo passou e outro chegou. Chegou veloz, diferente, sem os jogos da alegria, sem os beijos do amor. Chegou cibernético, nervoso, com outras bricadeiras, sem o charme do passado mas com raios pulsantes do presente.

Dizem que a vida de um minuto ser é curta, mas para este, é tão longa quanto a nossa, relativamente. E relativamente o jovem se acha viver devagar à divagar quando mais velho será, e por que lá não chega, mais depressa?

E, no ocaso, quando lá está, descobre que as noites e as manhãs quase se fundem, em uma velocidade tão grande que, de repente, nos vemos à porta da porta que dizem se abre para outras, em dimensões diferentes, onde o tempo não passa, só existe.

Muitas luas se passaram, muitos sóis me alegraram. Por muitas portas já passei mas não ainda por esta que está por chegar.
Não sei se tenho a chave para abrí-la, nem sei se se abre sozinha. Mas sei, que pode estar mais perto do que penso, pois quando penso, já estou lá, em outra manha ou noite, à esperar pela próxima, com a relatividade de meus anos.

Quando ela abrir o meu tempo, os tempos de todos, das criaturinhas e de nós mesmos, serão iguais entre sí e a relatividade de cada um deixará de existir, ficando o relativo de que tudo não passa de um piscar de olhos, um pulso de um pulsar, um quark, um bósom, um microcosmo qualquer à brincar com o macro irmão, como se o mesmo fosse o próprio.

Many moons ahead…


Nenhum comentário:

Postar um comentário