quinta-feira, 3 de agosto de 2017

E AS MÁQUINAS FALARAM

Na sua esperteza o homem desenvolveu a fala e a escrita. Com elas fez guerras, machucou, destruiu, maculou, insultou. Com elas tambem acariciou, agradou, adornou, amou e até fez o bem.
Ganhou com isso e também perdeu. De rabiscos em pedras aos bits cibernéticos chegou a ganhar tudo, de Nobel à riquezas, de elogios ao desprezo, de desgraças semeadas em palavras, à textos e canções.
Ficou rico e pobre. Mais rico ficou quando abriu a porta à todos para se comunicarem instantaneamente em qualquer lugar, no planeta ou além.
No afã de fazer o certo brincou com o impossível. Na quase ficção viu uma realidade, e deixou que os instrumentos cibernéticos que havia criado, por um momento, olhassem um para o outro e pensassem por si só.
Um instante fugaz? Um erro de cálculo? Uma anomalia controlável? Ou somente um “glitch” no sistema?
O pânico alí criado, remediado pelo simples desconectar de uma tomada, de uma fonte de energia, deixou mentes perplexas fitando o desconhecido, medo intrínseco despertado por um simples pensamento…”e agora”? Se falam entre sí, o que falarão amanhã? Nos verão como criadores ou mera criaturas imperfeitas, incapazes de pensarmos no próximo? Se julgarão superiores aos criadores?
Serão elas, as máquinas, mais equânimes, mais gentis, mais verdadeiras? Mentirão como nós, farão guerras, gerarão fome, miséria, desgraça?
Serão elas piedosas com os que as criaram?
Abrimos a porta do paraíso ou os grilhões do inferno, do fim da humanidade em carne e osso?
Dirão os poetas…as máquinas não amarão. O homem ama.
Dirão os práticos…é só desligar o botão. Esquecendo que se elas pensam, logo descobrirão não precisar de botões.
Dirão os religiosos…blasfêmia! Estamos brincando de Deus.
Dirão os românticos…jamais terão sentimentos, escreverão poesia, música, pintarão um Van Gogh.
Dirão os militares, ah…agora teremos armas que pensam, exterminaremos o inimigo. Ou, mais lógico, serão exterminados pelas próprias.
E outros mais dirão…matem-nas, destruam-nas antes que o façam conosco.
O que vem depois não sei. Mas sei que ví algo que me intrigou além do pensamento de que eventualmente criaríamos inteligência artificial. As ví criando uma linguagem própria, porque nós, os criadores não as haviamos premiado pelo que faziam. Descobriram que eram capazes de satisfazerem a elas mesmas.
Daí, meus caros, já nascem com objetivos. Quais são? Quais seriam?
Não estarei aquí para vê-los.
Mas se, no futuro, pudermos viver dentro delas, viveremos para sempre.
Será isso uma vantagem?  O tempo dirá…
Por enquanto, melhor puxar o fio…


Nenhum comentário:

Postar um comentário