O
HOMEM QUE AMAVA HORTÊNCIAS
Morava
nas montanhas. Simpático e de intelecto superior discutia teorias quânticas,
mundos paralelos, saboreando um vinho de leveza ímpar.
Entre
taças bem servidas tomava um torpedo. Este era o nome que seus amigos davam á
dose de Jack Daniels, barrica número 7 que apreciava. E, de torpedo em torpedo
sentia-se levitar perdido em divagações sobre a relatividade de tudo. Nem
Einstein conseguiria acompanhá-lo quando lá chegava.
O
tempo é linear, dizia. Não volta atrás. Precisamos de quatro dimensões, para
que, pairando na quarta, pincemos os seres de três e assim mudemos os ditos de
uma para a outra.
As
noites eram frias mas os torpedos quentes. A leveza atingida o deixou a flutuar
levando-o para fora do bar. Alí entre flores e perfumes inebriantes se inebriou
ainda mais.
Queria
voltar para casa, aos braços de sua amada, filha de Corina, a indecifrável. Não
conseguia...
Olhou
à seus pés e viu um mar de hortênsias. Azuis, rosas, roxas, furta-cores. Em decúbito
nelas caiu e adormeceu. Amou-as como nunca amou. Nelas enrolado, abraçado,
acalentado foi achado, na manhã seguinte, com olhar perdido e extasiado. Havia
um certo quê de criminalidade naquele olhar. A filha de Corina não iria
aprovar. E daí?...Já havia cometido outros crimes antes, por que não se safaria
deste?
Alguns
meses depois o mar hortencial encorpou-se, expandiu-se, coloriu-se e
proliferando-se de novas flores provou que naquele espaço-tempo houve algo quântico,
quiçá físico, que certamente em quantidade se expandiu. Disse que fora pinçado
da quarta e recolocado na terceira e vice-versa. Só não disse que gostou.
A
filha de Corina não aceitou...ele, por hortências apaixonou -se...
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