sexta-feira, 2 de junho de 2017

O PIRATA CIBERNÉTICO

Era um cientista. Meio louco, cabelos mais horrorosos do que os de Einstein. Mente deturpada, fumava um baseado a cada quinze minutos, vivia no mundo da lua.
Mas era um gênio. Um gênio do mal.
Desde jovem tinha ligações com o crime, mas só ficou bom nisso quando encontrou uns ETs veraneando nas montanhas da Gerais e com eles fez um “negocin”.
Sim, na terra dos monossílabos, seduziu os coitados oferecendo-lhes uma pinga que fabricava. Era até uma boa pinga, colorida de azul, com anilina. Dizia que era uma pinga espacial. “Êta nigucin bom sô”…
Dos ETs aprendeu como criar uma rede cibernética, melhor do que o          famoso internet. Chamou-a de Intercaralho.                     
O tal sistema era ótimo. Pirateava tudo, não somente neste planeta mas também em galáxias distantes. Vendia o decodificador por quinze pratas. Ficou rico.
O diabo do sistema era bom mesmo, especialmente para filmes pornôs. E olha que estes eram melhores do que a atuação de Jane Fonda em Barbarella.
Mas nas Gerais, filial estatal do Pindorama, é preciso pagar muito imposto para sobreviver. Tipo 98,5% do faturamento. Por isso achou melhor traficar sinal escamoteado. Ficou rico.
Mas um cientista louco é um cientista louco, não o seria se não fosse louco. Alardeava suas conquistas. Chegou até a anunciar na televisão os pacotes do Intercaralho. O diabo do sistema servia para tudo. Filmes, especialmente pornográficos, compras em sites que não pagavam impostos, telefonia gratuita e até espionagem sobre os políticos, onde estivessem.
Daí, a Federal entrou na jogada.
Rastreando os pixulecos que pagava a um partido das massas, foi localizado, morando em um condomínio de luxo, no alto de uma serra. Lá, junto com os amigos ETs havia disseminado uma rede perfeita para seu Intercaralho.
Mas o diabo do japonês da Federal descobriu tudo e para lá partiu com seus asseclas fardados para efetuar a prisão do mesmo, que havia sido decretada por um juiz de ilibada conduta.
Mas seu sistema era infalível. Antes de que o tal japa alí chegasse já havia partido. Havia acessado os computadores da polícia. Sabia de tudo.
Fugiu…
Levou consigo a nave dos ETs, abduzindo-os no processo. Passou à gerar o sinal em órbita, deu um cano solene nos magnatas da informação, nunca pagou impostos e ainda lançou um canal de altas sacanagens.
O famoso “Canal Político”, onde se via tudo o que eles faziam (os políticos), ao vivo, ou seja, os roubos, os aconchavos, os pixulecos, as tramas e tramóias, as amantes vestidas ou peladas, enfim, tudo aquilo que o povo gosta.
Ninguém nunca mais viu a Globo…nem a Record… nem a Bandeirantes…. nem…
Só Intercaralho…


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