LOST CITY
copyright by c.gilberti
Em terras
Gerais, existem montanhas. Nestas, rincões escondidos de acesso difícil, entre gargantas intransponíveis. Cidades encrustradas em vales e no topo de colinas. Algumas ainda
segurando um passado rebuscado pelo ouro alí encontrado. Outras desfiguradas pelo tempo e pelo homem.
No coração de um arquiteto existe sempre um arqueólogo. No afã de criar para o homem, mesmo que o
moderno, não se faz sem ter o passado como referência.
Chamavam-no
de Phidias. Estudou arquitetura e também arqueologia.
Como
arquiteto era medíocre. Aprendeu sobre Che, Fidel,
Maduro e outros que nada acrescentaram à humanidade. Fazia prédios como caixas de sapato. Era só colocar uns buraquinhos e pronto, lá se vai mais uma obra de arte. Wright, Gaudí, Ghery teriam se revoltado com o rapaz.
Como
arqueólogo era melhorzinho. Mas pecava pela falta de método, substância. Ganhava muito em curiosidade e
foi ela, que num belo dia, o levou a fazer uma excursão pela Estrada Real, à pé.
Sentindo
a história à seus pés, procurando pelas ruínas abandonadas e vestígios de uma arquitetura quase morta, partiu para Ouro Preto.
Em bares
da cidade, em noites frias e nevoentas, perguntava sobre o passado. Chegou até a fazer anotações dos fantasmas que habitavam a
cidade. E foi em uma destas conversas
fantasmogóricas que conheceu o Zé Cirino.
Mineiro típico. Franzino, amulatado, de voz suave, Zé contava uns casos diferentes. Entre as histórias da cabeça de Tiradentes, os romances de
Gonzaga, ouro perdido, ouro achado, tinha
uma, muito estranha, da tal cidade perdida que disse ter existido, alí atrás das montanhas.
O alí atrás dos mineiros é sempre uma forma de medição não medida. Pode ser alí mesmo, acolá, alhures, algures ou até no beleléu. Por isso era difícil, em termos geográficos definir onde realmente era, foi ou teria sido. “É alí, oh!”, e fica por isso mesmo.
Numa manhã de sol tímido, mochila nas costas, partiu na
direção que o Cirino lhe indicou, ao longo da Estrada
Real. Depois de andar muito deparou com uma ponte de pedras, em arco, sobre um
pequeno vão de um talvegue. Curioso desceu
para estudar seus detalhes construtivos. Notou que alí, antes da ponte existir, havia remanescentes de uma estrada de pedra que
desaparecia no mato fechado.
Resolveu
seguí-la.
Era mais
longa do que esperava. Ladeava o talvegue em sua margem esquerda. Seguia,
sinuosa e instável, por dentro de arbustos, árvores antigas, marcos de pedra com misteriosas inscrições. Um banco semi enterrado, em pedra sabão, trazia uma inscrição.
“Carpe Diem, não retorne”.
Havia um
ar de coragem no intrépido arquiteto. Não se fez por rogado, foi em frente.
Após algumas horas, com o sol poente colorindo as encostas de dourado e rosa,
numa sinfonia de cores rara e poética, acercou-se das ruínas de uma fazenda, provavelmente do
século XVI.
Nunca
havia visto nada igual.
Eram
ruinas de uma casa colonial cujos detalhes desconhecia. Uma larga varanda
emoldurada por uma capela, diversas janelas dispostas em cadência incomum ao barroco local, detalhes em madeira entalhada, revelando
figuras diabólicas à segurar o galbo do telhado principal quase inteiramente colapsado.
Seu lado
arqueológico o fez parar. Estudou as formas, analisou as linhas da
fundação exposta pelo tempo, refletiu sobre o lay out, rabiscando-o no seu caderno de
anotações. Nada fazia sentido. Onde estavam os quartos?
Porque a cozinha era centralizada na
sala de estar? Porque, ao redor desta, existiam pequenos cômodos com pinturas decorativas em cores por demais fortes para a época? Porque vermelho predominava em tudo?
Lembrou-se
do Zé Cirino. O cabra lhe havia dito ter visto, quando menino,
uma fazenda abandonada, entre Ouro Preto e Lavras Novas. Um lugar amaldiçoado, onde ninguém ia. Diziam os antigos que se
ouviam gritos e uivos nas noites sem luar. Diziam que crianças desapareciam, sem deixar vestígio, quando alí brincavam. Diziam ser terra
proibida.
De fato,
a tal fazenda mostrava o avançar do tempo. A vegetação a havia coberto em grande parte. A estrutura apodrecida ruiu, devorando
com ela muitos dos entalhes de madeira. Em alguns lugares poder-se-ia ver como foi
em seu passado. As figuras grotescas ainda assustavam.
O sol em
decúbito deixou a noite surgir.
Phidias,
cansado, montou acampamento. Escolheu o centro da sala, onde outrora existiu o
fogão. Acomodou-se sobre o gradeado de ferro fundido ficando
assim longe do piso úmido, longe das criaturas da noite.
Na gélida madrugada acordou com o estalar de gravetos. De início pensou ser algum pequeno animal, mas como o estalar passou a ditar um
ritmo inebriante de uma estranha percussão, assustou-se sentando sobre o gradeado. Juraria que ouviu vozes. Eram
mais murmúrios intelegíveis entremeados com gemidos dolorosos.
O lugar
chorava e tentava lhe falar. Os gemidos
pareciam lhe dizer “retorne”. O batuque sutil dizia o mesmo.
Homem das
modernidades, noites sem lua, atabaques, gemidos não assustam arquitetos. Estava decidido a descobrir mais sobre o misterioso
local. Queria ser conhecido por aquele que decifrou o “genius loci”, o espírito do lugar. Alí permaneceu, de sentinela, até o amanhecer.
Os pássaros das montanhas cantam bonito. Azulões, sabiás e saíras em vôos razantes buscavam os raios do sol em uma manhã resplandescente. Recolheu seu
caderno, canetas e lápis e procurou pela continuidade da estrada.
Após minucioso exame do terreno concluiu que os vestígios deixados mostravam um caminho estreito à subir ao lado da pedregosa montanha que flanqueava o vale.
Para lá seguiu.
Horas
mais tarde, após subir aproximadamente 800 metros
notou o que parecia ser um buraco de mina.
Naquelas
paragens estes buracos eram comuns. Indicavam as tentativas de achar ouro em
veios entremeados nas formações de cristais de rocha. A maioria não ia à lugar nenhum. Ou o veio era curto
ou nada alí estava, somente os cristais sem
valor.
Mas este
buraco estava alí, semi escondido. Seu conhecimento
de geologia o fez deduzir por um deslizamento recente expondo o buraco, causado
talvez pelas águas de chuva que vinham do rincão acima.
E tudo
indicava que este buraco estava fechado há mais de 200 anos.
Adentrou.
Notou
primeiro a altura incomum, cerca de dois metros. Notou também que as paredes de cristal evidenciavam uma grande atividade de extração. Notou ainda, que o ouro se fazia presente, em menor escala ao que
deveria ter sido. Por fim, notou que parecia não ter fim, seguia montanha adentro, sem obstáculos.
Após caminhar cuidadosamete por mais de uma hora, sobre uma lama fina e água corrente, foi atraído pelo brilhar de luz, no fundo da
interminável escuridão. A poucos metros de seu fim
deparou-se com tocheiros molhados em óleo, cuidadosamente dispostos em paralelo. Pareciam novos, bem cuidados,
ainda funcionais.
Não houve necessidade de acendê-los. Chegara ao fim do túnel, a uma plataforma em uma única pedra, balanceando sobre um vale profundo. Lá embaixo, viu o que achou ser um vilarejo.
Este
lugar não existia nos mapas. E ele os tinha… e eram de boa
qualidade.
Cirino
lhe falou, após uma rodada de muitos torpedos e
birinaites, que há muito tempo atrás, existiu uma mina de ouro, entre Ouro Preto e Lavras Novas. Diziam os
antigos que era a mina do Demônio Vermelho.
Quem lá trabalhava, não voltava. Quem era seu dono, não era visto. Quem se atreveu a lá entrar, nunca dele se ouviu falar. Este lugarejo, chamado de Judas
Escariotes, somente existiu nos mapas do Império até o final do século XVI. Se é que existiu. Phidias havia feito
uma relevante descoberta arqueológica! Deve ter sido alí que ele, Judas, havia perdido as
botas.
Do alto,
se via o vale. Para cima, se via a condensação espessa de nuvens que pareciam estarem estacionadas, em um movimentos
circulares monótonos e constantes, que impediam o
sol de alí entrar.
O vale
era cercado pela composição montanhosa. Tudo indicava ser a
cratera de um vulcão antigo, talvez extinto. O casario
era do século XVI, um pouco modificado. Havia torres em cada casa,
por menores que fossem.
A descida
foi difícil. Ninguém por alí passava já há anos. As pedras estavam soltas, o barranco encharcado, totalmente instável. Nada impossível para um intrépido arquiteto.
Pequenas
plantações, galinhas, porcos e mulas alí estavam. O local ainda era habitado. E se o era, não deveria ter mais do que uns 200. Uma quilombola, talvez?
Para sua
surpresa, eram todos brancos e de ohos azuis. Vestiam-se em um algodão natural, quase branco, usavam um gorro pontudo e vermelho. Falavam um
português confuso. Mas dava para entender.
Não sei se fora bem ou mal recebido. Eram mais mudos do que falantes. Havia
mulheres e homens, velhos, novos e adolescentes. Não viu nenhuma criança.
Se o
tinham estranhado, isso não era tão claro, mas os olhares trocados mostravam um interesse diferente, talvez
cheio de uma pitada do mal. Não eram amistosos, mas eram polidos,
certamente desconfiados.
Não responderam às suas indagações sobre interação com o mundo de fora. Não responderam sobre a falta das crianças. Não revelaram quase nada. Mas
deixaram-no andar pelo vilarejo, desenhar, anotar em seu caderno e, às vezes, manter um diálogo mínimo com um dos residentes.
Judas
Escariotes era um lugar onde o passado era o presente.
Não havia energia. Tudo funcionava como há 500 anos atrás.
O
vilarejo tinha uma igreja. Nela, não havia altar, somente os bancos, de frente um para o outro. Não havia crucifixo, nem imagens de santos. Só uma peça esculpida em ébano daquilo que seria Judas, com um saco de moedas em sua mão direita.
Havia uma
cadeia. Mas não havia delegado ou polícia. Esta, de um cômodo só, tinha todos os seus vãos gradeados em ferro trabalhado em
laços intrincados.
O
ferreiro era o mais forte cidadão. Feio, de poucos amigos, com o braço direito, quase que duas vezes maior do que o esquerdo, fazia tudo e de
tudo em ferro fundido, grades, janelas, portas, utensílios, panelas e outras peças de qualidade ímpar.
Tudo era
fundido ou em pedra sabão. Não existia argila, somente uma areia negra entremeada no minério de ferro.
Cada
edificação, branca com janelas de azul anil, tinha uma
pequena torre. No seu cume, um catavento, este com uma efígie de um duende, bruxo ou capeta. O bar, era o único com duas torres. Nem a igreja as tinha. Nele, a bebida servida, era
simplesmente horrível. Parecia suco de enxofre.
Água era abundante. Corria das
encostas para o centro do vale. Alí sumia, em um rio subterrâneo.
A vila
era cercada de pequenas construções. Pareciam os oratórios dos passos da paixão, típicos das cidades coloniais. Mas não o eram.
Phidias
se surpreendeu.
Ao
retratar uma destas edificações, notou que o pesado gradeado
estava aberto. Resolveu estudar o seu interior.
O suposto
oratório não tinha mais do que quatro metros
quadrados. Além da porta de fora havia outra, de
igual tamanho, oposta à entrada. A decoração era em vermelho escuro, provavelmente à base de sangue. Muitas incrustações em ouro e ébano rebuscavam as paredes e teto,
refletindo figuras mitológicas, sílfides, sereias e faunos.
A porta
do fundo se abria para algo que lhe aguçou a curiosidade.
Uma
escadaria imensa, escavada na rocha, decorada em volutas barrocas de ouro puro.
Arcos romanos levavam em graciosas curvas os ornados degraus ao centro subterrâneo do vilarejo. Tocheiros à óleo, cuidadosamente dispostos, iluminavam o caminho às entranhas da terra.
Por ela
passou, descendo as centenas de degraus. A medida que percorria o caminho ouvia
o barulho das águas cascateando. No turbilhão do rodamoinho em que desapareciam podia-se notar que havia um imenso salão, iluminado por tochas, para onde convergiam todas as outras escadas
oriundas de cada oratório acima.
O salão excavado em cristal cintilava. Veios de ouro o adornavam. No centro uma
depressão concêntrica, um gradeado de ferro com
mais de 3 metros de diametro e uma estrutura do mesmo metal, em forma de uma
tripeça segurava ganchos de açougue, no seu centro.
Sua mente
arquitetônica imediatamente ligou a estrutura àquela que havia visto na fazenda abandonada. Sem dúvida seus habitantes tinham algo a
haver com um passado, lá fora, um passado que talvez não quisessem lembrar. Um passado com algo triste, demoníaco e trágico.
Estarrecido
voltou.
Foi à taberna, pediu o drinque maldito, sorveu-o com a voracidade dos sedentos
e ousou perguntar sobre o que tinha visto.
Alem da
mudez, da indiferença e do desdém, ouviu uma única voz…”Não deveria teres vindo”…
Arquitetos
são cabeçudos. Quando projetam, o fazem para
eles mesmos. Não ouvem ninguém. Este, não seria diferente dos outros. Tinha
feito a descoberta arqueológica do século. Carpe Diem! Se
aproveitaria de tudo que lhe fora dado, danem-se as disposições contrárias. Havia descoberto o passado,
vivo, no presente.
Se
apossou do momento.
Dormia ao
relento. Ninguém lhe ofereceu pousada. Não se importava. Mais uns dias e teria um completo estudo, um minucioso
relato, uma obra prima. Ah! Se tivesse podido usar seu lap top. O coitado já havia falecido por falta do suco energético. Teria poupado tanto tempo!
Dormiu o
sono dos justos, sentindo em sua cabeça os louros da vitória. Olhava para cima e via o
circular constante das nuvens. Acho que nunca viram as estrelas, pensou. E, com
este pensamento apagou-se.
Não se sabe o horário. Escuro tudo era. Sem, luz, os
tocheiros simplesmente coloriam de dourado as paredes. Geravam sombras de
formas móveis, grotescas e assustadoras. Ouviu o som ritimado dos
atabaques, aqueles mesmos lá da fazenda. A curiosidade mata o
gato, dizem. Ele, nem ligava.
Acordou,
e, à procura do som se mandou.
Vinha dos
oratórios, então provinha do subterrâneo. No horizonte escuro, em fila indiana, uma procissão se aproximava. Em cânticos dignos de Carmina Burana,
conduziam seus tocheiros. Vestidos de branco, toucas vermelhas, carregavam uma
liteira. Sobre ela …uma criança.
O canto
em pulsações frenéticas, deletério como o lamento de lobos
uivantes, mais terrível ficava à medida que ecoava nas paredes dos arcos romanos. Todos os habitantes lá estavam, e também algumas crianças. De onde vieram não sabia. Deviam tê-las escondido, mas porque? Seriam aquelas dos contos das crianças raptadas?
Furtivamente
espiou, sem deixá-los ver-lhe.
O
gradeado do centro do salão estava cheio de carvão em brasa. A tripeça sobre ele posicionado. Os
moradores de Judas Escariotes, em círculo, cantando. A liteira deposta ao lado, a criança nua.
Ao fundo
viam-se vultos. Ainda não eram definíveis, mas eram hediondos. Tambem dançavam.
De
repente, silêncio total.
O único habitante totalmente em vermelho arrebata o jovem e introduz em sua
boca um liquido gelatinoso. A criança se entorpece. Seria este o Demônio Vermelho, o dono da mina?
Olhou
para o rosto da vítima. Como em um quadro surrealista
o viu gritar. Um grito mudo, síntese de um desespero, do prenúncio do seu irreversível fim.
Em
movimentos calculados, e levantada de cabeça para baixo, a crianca é presa aos ganchos da tripeça. Diante de todos seu ventre é aberto, suas víceras correm em busca das brasas,
seu corpo estremece. Com uma serra afiada o suposto sacerdote corta o inocente
em duas metades, da virilha ao pescoço e como em churrascos de meio boi, o prepara para cozimento.
Assado, é devorado por todos.
Os
vultos fantasmogóricos assumem sua forma demoníaca. Dançam, cantam, produzem sons tão dissonantes que acabam entorpecendo as mentes das criaturas saciadas
pelo ato canibalesco. Phidias, em pânico retorna ao seu acampamento.
Então… o segredo de Judas Escariotes é revelado. Na ganância do ouro, venderam tudo, até suas próprias almas. Na prisão que viveram se canibalizaram. Nas raras ocasiões que se aventuraram fora, causaram temor, raptaram, sequestraram,
devoraram. Seus ritos satânicos ficaram presos na masmorra
natural onde habitavam. O tempo, que para eles não passou, passava em eterna danação.
Phidias
partiria ao nascer do sol. Não poderia ficar nem mais um minuto.
Um pavor incomensurável apossou-se do seu ser. Sairia,
na mais furtiva das maneiras.
Mas sua
desdita ainda estava para ser escrita.
Foi
capturado.
No
argumentar com seus algozes, descobriu que sua sorte já estava lançada, desde o momento em que alí chegou. Sua inclusão no cardápio já havia sido decidida, só ele não sabia.
Nunca foi
tão bem tratado. Finalmente, conversavam. Contaram-lhe a história da cidade, da mina de ouro. Contaram-lhe do pacto que fizeram com o
Tinhoso. As moças o visitavam, deleitavam-se com
sua presença, ofereciam suas melhores prendas.
Ás vesperas, foi banhado em pétalas de flores, temperado, desnudado e raspado. O grão mestre se fez presente, colocou-o na liteira e a procissão tomou seu ritual. Entre os cânticos e o marcar dos atabaques, foi levado ao centro, amarrado e
pendurado , pelos pés, de cabeça para baixo.
Bebeu o líquido viscoso. Entrou em torpor, nem sentiu quando seus órgãos pularam para fora de seu corpo. Sentiu que gritava o
grito mudo da criança. O seu era cheio de desespero, o
choro da entrega, da rendição. Achou estranho o baruho do
serrote ao ser dividido longitudinalmente,e, neste ínfimo instante de reconhecimento, sentiu-se passar para o mundo dos
mortos.
Sua festa
foi linda. Isto segundo os moradores de Judas Escariotes.
Para
Phidias, que havia se apossado daquele momento, nada mais restou.
Nem suas
anotações, perdidas ao vento, no passar do tempo, nunca
mais foram achadas.
Perdidas
ficaram , na cidade perdida.
FIM
Nenhum comentário:
Postar um comentário