EU NÃO SEI DE NADA
(dialogo populista dirigido às bestas quadradas que me elegem)
Foi a minha mulher que fez…
Você sabe, mulheres são assim mesmo, fazem e não dizem nada… Eu não sei de nada.
Acho que na verdade nem sei
se fui lá. Se fui não ví, se não ví, como posso saber? Se não sei, como posso saber que
ví? E que fui?
Um absurdo, julgar alguém que nunca trabalhou? Como
o Senhor pensa que eu posso me lembrar do que comprei se não trabalhei? Não dá para gastar, sem ganhar.
Eu tenho é “muito amigo”. Tenho quem
empresta avião, barco, pedalinhos…tenho
quem abre conta na Suiça, me deixa morar de graça, em sítio, apartamento, casa de praia. Eu sou um homem do povo. Veja só, falo até português e nunca tive que estudar.
Verdade, escolhí uma que não fala. Mas a língua que ela fala ainda vai
ser inventada. Escreve aí...
Reforma?
Ora, se reformaram, não fui eu quem mandei. Não prestava, não tinha elevador
particular. Como eu ia mandar reformar se não sei de nada?
Roubaram?
Que é isso “Dotô”?
Quando cortei meu dedo,
para nunca trabalhar, ganhei aposentadoria. Agora me deram um monte de outras.
Por isso sou contra as reformas. Já imaginou? Agora eu teria de cortar até o resto dos dedos. E
trabalhar…”cruz credo”!
Sou é mortadela. Não sou coxinha. Mortadela não trabalha, só os bestas dos coxinhas.
Mortadela não sabe de nada. Igual à mim. Por isso votam em
mim. E olha que eu sou o mais honesto que já existiu. Mais que Cristo, mais que o Papa.
Mas vou ser candidato de
novo. Aí, ponho todos os que
trabalham na cadeia. Mando prender todos, especialmente aqueles que sabem de
alguma coisa.
Onde já se viu?
Eu não sei de nada, “pô”!
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