domingo, 28 de maio de 2017

ACONTECEU EM CHICAGO



Ele era um elegante rapaz. Alto, forte e simpático. Tinha três lindas irmãs, tipo miss universo, um pai severo, uma doce mãe e dois outros irmãos, um deles viria ser um ilustre desembargador.

Fazia pós-graduação em Chicago, já estava casado. Morava em um pequeno apartamento, não tinha muitas coisas. Um fusquinha mesentérico, uma bermuda e uma muda de roupa que o levava à todos os lugares.

O ano chegava ao fim, o frio congelante com os ventos da windy city soprando cruelmente. Queria comemorar. Juntou seus trocados e convidou sua bela para um jantar, romântico, à dois.

Ao restaurante chegaram e iniciaram os procedimentos com um drink de abertura e leitura cuidadosa do menu.

Sentiu algo se movimentando em suas partes glúteas. Era de natureza feroz, já o havia enfrentado em outras ocasiões. Em circustâncias normais qualquer mortal procuraria o toilet mais próximo. Não ele...Só fazia em casa.

Disse à sua bela: “Querida, está acontecendo de novo. Vou até o apê, resolvo o problema e volto que nem Mercúrio, com asinhas nos calcanhares. Peça alguma coisa por mim, beijocas.” E assim o fez.

Adentrou seu fusca. Era como se estivesse vestindo o dito cujo. Grande como era o procedimento de entrada era penoso e contorcionista. A movimentação em excesso provou-se perigosa. A revolta que lhe tomava as entranhas se assanhava.

Intrepidamente seguiu viagem. Tomou a via expressa, pouparia tempo e este era o que faltava. Eis que de repente, um líquido quente, viscoso e morfético inundou suas partes baixas. Como lava de um vulcão em errupção a gosma deletéria descia, calça abaixo.

Não titubeou, fechou a bainha da mesma, dentro das meias, segurando a copiosa massa.

Um cheiro terrível, mais forte do que o Tietê em dia de glória, tomou conta de  sua frugal viatura. Pior, o sinal de falta de combustível havia se manifestado. Isto não era nada bom, pois o dito quando tocava dizia mesmo é que já havia acabado. E foi o que aconteceu.

Sorte, estava em uma descida, o carro ainda embalado e, por mais sorte ainda um posto se avizinhava, à direita, na primeira saída. Costeou, lenta e inexoravelmente parando em frente à bomba.

O atendente serelepe se aproximou. Ao baixar a janela quase matou o coitado com uma baforada pútrida. Deu-lhe dez pratas e recolheu-se a sua insignificância. O rapaz, meio verde, encheu o tanque. O enxôfre de Belzebú o deixara grogue.

No apê o plano de salvação se delineava sólido. Lavaria as calças em baixo, no basement. Tomaria banho, colocaria sua solitária bermuda e enquanto lavava e secava, limparia o possante. Após, voltaria que nem sir Galahad, e salvaria sua amada.

O processo inteiro se fez mais lento do que havia suposto. A noite se aprofundava e, com ela, a hora do restaurante fechar.

Por fim terminou. Como um foguete partiu chegando esbaforido somente para encontrar sua atônita esposa, semi congelada, expulsa, na rua.

Não sei se mudou seus hábitos. Não acredito que o tenha feito, afinal a família inteira tem um histórico profícuo nesta área fecal. Hoje, bem sucedido vive em Brasília. Um bom local para se fazer tais feitos.       

Depois eu conto outra.



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