A PORTA DA MÚMIA
( passeio no river Styx)
A trip into the imaginary world. What if...
Quando foi descoberta, a tumba de Tutankamon continha uma maldição.
Morreram alguns exploradores, outros caíram doentes de coisas misteriosas.
Falaram de bactérias, môfos e outras explicações mais compatíveis, mas nunca se
explicaram de fato.
Com todos seus tesouros foi encontrada intacta. Mais intacta ainda deve
estar o suposto cômodo secreto que aparentemente existe atrás do túmulo. Dizem
até serem dois cômodos, um deles de Nefertiti.
Se for de Nefertiti será a descoberta arqueológica mais importante de
todas. E tudo indica que é. Raio X que o
diga, pois será usado e aí, uma porta para uma dimensão passada será aberta, no
presente.
Não sei se teremos novas maldições, mas múmias sem maldições não são múmias que se prezem.
Prefiro a manchete abaixo descrita, no dia seguinte à abertura da porta:
“Famoso arqueólogo, ao morrer, abre porta para uma nova dimensão. Após
longas pesquisas e a aplicação do mais poderoso emissor de raios X descobriu-se
uma abertura escondida atrás de hieroglifos citando Horus, o deus da guerra,
ameaçando aqueles que cometessem o sacrilégio de dessagrar a tumba real.
Citações de Amonet, a deusa do oculto e poder que não se extingue,
indicavam o local de uma chave em forma de Osíris, que aplicada em uma abertura
nos olhos da figura representando Amon-Ra, deus do sol, abriria um vórtex
espacial.
Cientistas famosos e ávidos por respostas se precipitaram, imediatamente
abrindo o portal. Foram sugados para a primeira câmara que se encontrava vazia.
Somente um rodamoinho luminescente enchia o espaço milenar. Seu movimento
constante era inebriante, anestesiando os pesquisadores e transportando-os para
o que veio à ser definido como um cômodo em outro espaço-tempo.
Atordoados acordaram na segunda câmara secreta. Inexplicàvelmente as
paredes não a delimitavam. Moviam-se à medida em que delas se aproximavam. A
decoração, em afrescos magníficos, contavam a estória de Nefertiti, esposa de
Akhenaten que habitou o Egito
sagrado entre 1380 e 1345 BC.
Filha da deusa Osíris não podia
morrer. Sua passagem para aquela nova dimensão havia sido feita pela porta dos
tempos, depois de atravessar o rio Acheron, um dos cinco rios Styx e pagar o
pedágio com uma moeda ao barqueiro do além, Phlegyas.
Seu corpo mumificado havia se regenerado conforme esperado pelas práticas
egípcias. Não havia esquife mas haviam riquezas intermináveis. Estas,
espalhadas em monumentos, caixas, urnas e pedestais pareciam perto de serem
tocadas, porém ao delas se aproximarem, estas deslizavam em movimentos etéreos e esfumaçados.
Haviam seres vivos no lugar , espectros num ritual exótico, sensual e
delirante. Algo indescritível se apoderou dos incautos pesquisadores. Criaturas
de beleza imcomparável e desnudas os cercavam. Uma a uma, de maneira
envolvente, estes espectros iniciavam um processo de absorção da essência de
vida de cada um deles.
Verdadeiros súcubus, insaciáveis, sedentos e sedutores faziam destes
cientistas brinquedos em suas mãos. À medida que a vida se esvaia de alguns
deles estas criaturas mostravam sua verdadeira forma. Monstros horripilantes,
guerreiros de Anubis, cumpriam sua missão diabólica. Uma onda negra, ácida dissolvia
seus tecidos, desencarnando-os.
Dois deles conseguiram se desprender do abraço fatal. No afã de fugirem
e desesperados por salvar algo que pudessem levar consigo os afoitos cientistas
tentaram escapar pelo portal. A travessia do mesmo quebrou o encanto. O som de
um lamento doloroso se ouviu, pensaram ser as almas de seus colegas já presas
na câmara de Osíris.
Foi um erro terrível. Uma série de inesperados eventos se iniciou.
Pedras gigantescas deslizaram umas sobre as outras. Aberturas fizeram-se
aparecer nas paredes holográficas
jorrando areia do deserto. As câmaras começaram a se transformar em uma
sepultura inesperada.
Um deles escapou. Antes de morrer relatou esta estória fascinante. Anúbis
havia voltado e reclamado as almas dos trespassadores. O portal se fechou, não
antes de uma série de novas inscrições aparecerem nos afrescos da sala de
Tutankamon. Neles a odisséia de seres de uma outra dimensão estava retratada,
até seu soterramento pelas areias do deserto. No fim, uma inscrição ainda não
vista dizia que a rainha vivia, no outro mundo, como deusa sagrada, encarnação
de Isis.”
A tumba voltou a ser fechada. Os egípcios são muito superticiosos.
Uma estória de múmia com maldição é certamente muito mais interessante!
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