sábado, 27 de maio de 2017

A PORTA DA MÚMIA

 ( passeio no river Styx)

A trip into the imaginary world. What if...


Quando foi descoberta, a tumba de Tutankamon continha uma maldição. Morreram alguns exploradores, outros caíram doentes de coisas misteriosas. Falaram de bactérias, môfos e outras explicações mais compatíveis, mas nunca se explicaram de fato.

Com todos seus tesouros foi encontrada intacta. Mais intacta ainda deve estar o suposto cômodo secreto que aparentemente existe atrás do túmulo. Dizem até serem dois cômodos, um deles de Nefertiti.

Se for de Nefertiti será a descoberta arqueológica mais importante de todas. E tudo indica que é.  Raio X que o diga, pois será usado e aí, uma porta para uma dimensão passada será aberta, no presente.

Não sei se teremos novas maldições, mas múmias  sem maldições não são múmias que se prezem. Prefiro a manchete abaixo descrita, no dia seguinte à abertura da porta:

“Famoso arqueólogo, ao morrer, abre porta para uma nova dimensão. Após longas pesquisas e a aplicação do mais poderoso emissor de raios X descobriu-se uma abertura escondida atrás de hieroglifos citando Horus, o deus da guerra, ameaçando aqueles que cometessem o sacrilégio de dessagrar a tumba real.

Citações de Amonet, a deusa do oculto e poder que não se extingue, indicavam o local de uma chave em forma de Osíris, que aplicada em uma abertura nos olhos da figura representando Amon-Ra, deus do sol, abriria um vórtex espacial.

Cientistas famosos e ávidos por respostas se precipitaram, imediatamente abrindo o portal. Foram sugados para a primeira câmara que se encontrava vazia. Somente um rodamoinho luminescente enchia o espaço milenar. Seu movimento constante era inebriante, anestesiando os pesquisadores e transportando-os para o que veio à ser definido como um cômodo em outro espaço-tempo.

Atordoados acordaram na segunda câmara secreta. Inexplicàvelmente as paredes não a delimitavam. Moviam-se à medida em que delas se aproximavam. A decoração, em afrescos magníficos, contavam a estória de Nefertiti, esposa de Akhenaten que habitou  o Egito sagrado  entre 1380 e 1345 BC.

 Filha da deusa Osíris não podia morrer. Sua passagem para aquela nova dimensão havia sido feita pela porta dos tempos, depois de atravessar o rio Acheron, um dos cinco rios Styx e pagar o pedágio com uma moeda ao barqueiro do além, Phlegyas.

Seu corpo mumificado havia se regenerado conforme esperado pelas práticas egípcias. Não havia esquife mas haviam riquezas intermináveis. Estas, espalhadas em monumentos, caixas, urnas e pedestais pareciam perto de serem tocadas, porém ao delas se aproximarem, estas  deslizavam em movimentos etéreos e esfumaçados.

Haviam seres vivos no lugar , espectros num ritual exótico, sensual e delirante. Algo indescritível se apoderou dos incautos pesquisadores. Criaturas de beleza imcomparável e desnudas os cercavam. Uma a uma, de maneira envolvente, estes espectros iniciavam um processo de absorção da essência de vida de cada um deles.

Verdadeiros súcubus, insaciáveis, sedentos e sedutores faziam destes cientistas brinquedos em suas mãos. À medida que a vida se esvaia de alguns deles estas criaturas mostravam sua verdadeira forma. Monstros horripilantes, guerreiros de Anubis, cumpriam sua missão diabólica. Uma onda negra, ácida dissolvia seus tecidos, desencarnando-os.

Dois deles conseguiram se desprender do abraço fatal. No afã de fugirem e desesperados por salvar algo que pudessem levar consigo os afoitos cientistas tentaram escapar pelo portal. A travessia do mesmo quebrou o encanto. O som de um lamento doloroso se ouviu, pensaram ser as almas de seus colegas já presas na câmara de Osíris.

Foi um erro terrível. Uma série de inesperados eventos se iniciou. Pedras gigantescas deslizaram umas sobre as outras. Aberturas fizeram-se aparecer nas  paredes holográficas jorrando areia do deserto. As câmaras começaram a se transformar em uma sepultura inesperada.

Um deles escapou. Antes de morrer relatou esta estória fascinante. Anúbis havia voltado e reclamado as almas dos trespassadores. O portal se fechou, não antes de uma série de novas inscrições aparecerem nos afrescos da sala de Tutankamon. Neles a odisséia de seres de uma outra dimensão estava retratada, até seu soterramento pelas areias do deserto. No fim, uma inscrição ainda não vista dizia que a rainha vivia, no outro mundo, como deusa sagrada, encarnação de Isis.”

A tumba voltou a ser fechada. Os egípcios são muito superticiosos.


Uma estória de múmia com maldição é certamente muito mais interessante!

Nenhum comentário:

Postar um comentário