sexta-feira, 28 de abril de 2017

TERRORISMO SEMPRE EXISTIU
(é só uma questão de ponto de vista)


BARATAS AO AR   (primeiro conto)


Há alguns anos atrás um desavisado irmão partiu para o extermínio de uma espécie. Não gostava de baratas e morava na Floresta, em BH, bairro de reconhecida densidade no mundo das ditas cujas.

Sua casa ficava na rua Pouso Alegre. Era comum, ao anoitecer vê-las alegres e lampeiras à sair dos bueiros, balançando antenas, batendo perninhas em direção à inocentes donzelas que aos gritos desmaiavam.

Herói de conhecida estirpe, este irmão houve por bem partir para um plano mais ousado. Queria a aniquilação coletiva dos miseráveis insetos. Seria certamente reconhecido pelas belas da Floresta como o Sir Galahad, o herói das donzelas em perigo.

Comprou um galão de gasolina. Partiu para sua residência, alí perto do Colégio Santa Maria. Abriu os ralos e bueiros, despejou toda a gasolina.

O bafo da mesma já era portentoso por sí só. Não contente por matá-las sufocadas queria algo de maior efeito que justificasse sua fama de defensor das mais frágeis. Acendeu um fósforo, atirou-o no ralo mais próximo e...bum... só foi encontrado no dia seguinte, entre escombros de sua bela casa.

Eis o que aconteceu: ...ao explodir a gasolina levou consigo o piso da casa. Os canos de esgoto se partiram, os bueiros das ruas leventaram vôo. Ouvia-se os gritos de bocas vizinhas misturados com o espoucar de ralos e canos. Baratas estilhaçadas, ratos em fuga, um pandemônio total.

Recusou-se a se identificar como o autor da proeza. Como havia sido vítima do desabamento de estilhaços diversos no alto de sua sinagoga, causando protúberos galos de tamanho descomunal, ninguém veio a desconfiar do seu feito.

Naquela época, não havia Estado Islâmico, Al Queada, Hamas ou PT.
Consideraram ser um ataque terrorista de origem desconhecida e sem propósito. Ninguém pensou em entrevistar integrantes remanescentes da colonia de baratas que florescia naquele rincão de BH. Afinal, eram as únicas testemunhas.

Estas, coitadas, ainda hoje não chegaram aos níveis do passado.

Para alegria das donzelas, é claro.

Sir Galahad venceu, no final...



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