HOBBIT’S HOUSE
Dona
Baratinha tinha fita no cabelo e dinheiro na caixinha. Tinha duas filhinhas
exigentes e bonitas.
Morava em
uma casa de bonecas. Cheia de detalhes, aconchegante, lareira gostosa, paisagem
deslumbrante vista da varanda de seu quarto.
Nele só entravam aqueles que gostava. Seus muitos namorados e
pretendentes mal chegavam perto. Dona Baratinha era prudente e trabalhadora.
Tinha tido
seus momentos de desventura. Por isso guardava seu dinheirinho. Gostava de
investir em imóveis. Tinha alguns. Todos com um charme especial.
Foi assim
que um dia decidiu construir ao seu lado uma outra moradia.
Meio debaixo
da terra, pé direito baixo, um comodo só. Uma tetéia de casinha, perfeita para hobbits, aqueles personagens de
filmes de duendes, gnomos, bruxos e fadas.
Era azul
turquesa e verde. Tinha uma treliça com flores trepadeiras. Uma cozinha
de encantar, uma sala-quarto e um banheirinho charmoso e gostoso.
Como sábia que era, alugou a casinha para um casal bem diferente,
Loro e Lalá.
Loro não era alto. Tinha uma barba meio ruiva meio loura, totalmente
destrambelada. Se andasse descalço e tivesse pés cabeludos seria um hobbit. Quem sabe, um duende? Tinha um
sorriso luminoso.
Ela, Lalá, era esguia, alegre e jovial. Poder-se-ia dizer que era uma
fadinha das noites de pirilampos. Tinha sempre um fuminho cheiroso, dengoso e
saboroso que oferecia à suas visitas deixando-as em nuvens,
como aquelas que envolviam as duas casas em noites de chuva.
Moravam
assim ao lado de Dona Baratinha, ouvindo blues da melhor qualidade e sendo
amigos dos amigos dela.
Nas
montanhas, nas noites quentes de verão ouvia-se música, contemplava-se estrelas, andava-se nas nuvens. Os
astros do firmamento se refletiam no dançar dos vagalumes, no seu piscar
cintilante, no canto das aves noturnas.
No inverno,
a lareira com o lenho cuidadosamente disposto, aquecia o cômodo com sua luz bruxoleante e o crepitar das chamas
douradas. O fuminho da Lalá encarregava-se de deixar mentes
perdidas em devaneios de amor, em contos da carochinha, bem ao feitio de Baratinha.
Um pequeno
paraíso.
Dizem que
Dona Baratinha apaixonou-se. De tantos pretendentes, um deles, finalmente,
conseguiu seu coração.
Falam que
ele só queria seu amor. Nada mais. Por isso teve sucesso. Baratinha
havia se cansado daqueles que a faziam trabalhar e levavam o que havia
amealhado. Vivia só, suas filhinhas partiram com o
vento, deixando o ninho que tanto gostavam. Mas voltavam, de vez em quando.
E, quando
voltavam a faziam feliz.
Na casinha
dos hobbits, tudo era alegria. Um conto de fadas. Afinal, uma alí morava. Tinha até duende.
Dona
Baratinha, com seus lábios de mel e beijos de algodão-doce estava feliz.
Dizem que o
arco íris, após uma tempestade, cai sobre as
montanhas. Onde toca o solo, existe um pote de ouro.
Nas cores do
arco, seu fim encontrado, na casa dos hobbits achou-se um pote. Não era de ouro, mas era cheio de amor e carinho.
Um pote de
felicidade, certamente a caminho.
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