domingo, 16 de abril de 2017

HOBBIT’S HOUSE


Dona Baratinha tinha fita no cabelo e dinheiro na caixinha. Tinha duas filhinhas exigentes e bonitas.
Morava em uma casa de bonecas. Cheia de detalhes, aconchegante, lareira gostosa, paisagem deslumbrante vista da varanda de seu quarto.
Nele só entravam aqueles que gostava. Seus muitos namorados e pretendentes mal chegavam perto. Dona Baratinha era prudente e trabalhadora.
Tinha tido seus momentos de desventura. Por isso guardava seu dinheirinho. Gostava de investir em imóveis. Tinha alguns. Todos com um charme especial.
Foi assim que um dia decidiu construir ao seu lado uma outra moradia.
Meio debaixo da terra, pé direito baixo, um comodo só. Uma tetéia de casinha, perfeita para hobbits, aqueles personagens de filmes de duendes, gnomos, bruxos e fadas.
Era azul turquesa e verde. Tinha uma treliça com flores trepadeiras. Uma cozinha de encantar, uma sala-quarto e um banheirinho charmoso e gostoso.
Como sábia que era, alugou a casinha para um casal bem diferente, Loro e Lalá.
Loro não era alto. Tinha uma barba meio ruiva meio loura, totalmente destrambelada. Se andasse descalço e tivesse pés cabeludos seria um hobbit. Quem sabe, um duende? Tinha um sorriso luminoso.
Ela, Lalá, era esguia, alegre e jovial. Poder-se-ia dizer que era uma fadinha das noites de pirilampos. Tinha sempre um fuminho cheiroso, dengoso e saboroso que oferecia à suas visitas deixando-as em nuvens, como aquelas que envolviam as duas casas em noites de chuva.
Moravam assim ao lado de Dona Baratinha, ouvindo blues da melhor qualidade e sendo amigos dos amigos dela.
Nas montanhas, nas noites quentes de verão ouvia-se música, contemplava-se estrelas, andava-se nas nuvens. Os astros do firmamento se refletiam no dançar dos vagalumes, no seu piscar cintilante, no canto das aves noturnas.
No inverno, a lareira com o lenho cuidadosamente disposto, aquecia o cômodo com sua luz bruxoleante e o crepitar das chamas douradas. O fuminho da Lalá encarregava-se de deixar mentes perdidas em devaneios de amor, em contos da carochinha, bem  ao feitio de Baratinha.
Um pequeno paraíso.
Dizem que Dona Baratinha apaixonou-se. De tantos pretendentes, um deles, finalmente, conseguiu seu coração.
Falam que ele só queria seu amor. Nada mais. Por isso teve sucesso. Baratinha havia se cansado daqueles que a faziam trabalhar e levavam o que havia amealhado. Vivia só, suas filhinhas partiram com o vento, deixando o ninho que tanto gostavam. Mas voltavam, de vez em quando.
E, quando voltavam a faziam feliz.
Na casinha dos hobbits, tudo era alegria. Um conto de fadas. Afinal, uma alí morava. Tinha até duende.
Dona Baratinha, com seus lábios de mel e beijos de algodão-doce estava feliz.
Dizem que o arco íris, após uma tempestade, cai sobre as montanhas. Onde toca o solo, existe um pote de ouro.
Nas cores do arco, seu fim encontrado, na casa dos hobbits achou-se um pote. Não era de ouro, mas era cheio de amor e carinho.
Um pote de felicidade, certamente a caminho.



HOBBIT'S HOUSE

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