quinta-feira, 27 de abril de 2017

AS AVENTURAS DE PADRE CAPETTO
(com seu longo espeto)

Um conto erótico e bem bôbo


A igreja era simples. Um simples de qualidade ímpar. Cruciforme, com três altares, sacristia atrás do altar mór. Não era bem uma obra barroca mas tinha seus ares de curvas, volutas e cores do gênero.

O padre era simpático, até bonitão. Alto, forte, rosto liso, batina impecável. Era como os das antigas, parecia padre mesmo. Capetto era seu nome.

No sopé do morro ficava a igreja. Era em homenagem à um santo dos lugares mais baixos. Acima ficava um convento de freiras, todo branco, janelas pequenas, portas pesadas, de madeira inteira.

Nele um grupo de freiras mais velhas e noviças alegres e joviais. Eram comandadas pela Madre Superiora, senhora de olhar sisudo mas de feições que demonstravam uma beleza leve, de um passado não tão distante. Chamava-se Madre Imaculada.

Um dia, Madre Imaculada pediu à uma de suas noviças que fosse até a igreja. Queria que Padre Capetto celebrasse uma missa em homenagem aos mortos. Disse-lhe: “Irmã leve o recado ao Padre, só não fique à sós, com ele,  na sacristia. Prometa-me que fará como pedi.”

Sim Madre Superiora, com as bençãos do Divino!

Irmã Virgínia Virtuosa da Anunciação Divina era jovem e muito bela. Nem o hábito que vestia era capaz de esconder suas suaves feições. Era entretanto, afoita e inexperiente, vivia num mundo mágico, não conhecia as armadilhas da Terra.

Padre Capetto era italiano de origem. Falava com um sotaque gostoso, charmoso com todas as mulheres. Já estava à frente daquela paróquia há alguns anos. Era adorado pelas filhas de Maria.

Os  dias eram quentes, a sacristia o único lugar onde uma brisa refrescante corria. Capetto já havia levado algumas incautas filhas de Maria para ver o estandarte do Divino e estas voltavam deslumbradas , contando para as outras que tinham visto o espeto sagrado. Era longo e maravilhoso...falavam com os olhos deslumbrados.

Com o tempo Padre Capetto ficou conhecido pelo seu longo espeto e alí, atrás do altar, na frente do Divino, algo assanho se perpetrava. Capetto o protagonista mór.

A inocente freira desceu o morro, adentrou a casa sagrada e procurou por Capetto. Seus olhos brilhavam, mas não mais do que os do Padre. Este havia ficado embevecido pela estonteante beleza daquela jovem criatura de Deus.

Com seu charme e sotaque sedutor convenceu-a à ir até a sacristia. Seus planos estavam mais para capeta do que Capetto. Na frente do Divino mostrou-lhe seu espeto. É sagrado, falou. Pode pegar.

A coitadinha não era competição para um macaco tão velho. Caiu vítima daquele algoz. Na frente do Divino... Esqueceu-se até do recado que tinha de dar.

Ao saber do ocorrido Madre Imaculada lívida e enfurecida, procurou Capetto. O encontro foi rápido, as revelações contundentes. Pois a Madre já havia sido uma das vítimas de Capetto. Não era tão imaculada quanto seu nome. A jovem Virgínia Virtuosa, que não mais era nem uma nem outra, era filha de Capetto, e, este... não sabia!

Capetto seu miserável, desvirginastes a própria filha! E, com um golpe certeiro cortou-lhe o espeto.

A lenda ainda existe, a igreja também. O covento fechou as portas. Não se aconselham visitas não acompanhadas à sacristia.





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