AS AVENTURAS DE PADRE CAPETTO
(com seu longo espeto)
Um conto erótico e bem bôbo
A igreja era simples. Um simples de qualidade ímpar. Cruciforme, com três
altares, sacristia atrás do altar mór. Não era bem uma obra barroca mas tinha
seus ares de curvas, volutas e cores do gênero.
O padre era simpático, até bonitão. Alto, forte, rosto liso, batina
impecável. Era como os das antigas, parecia padre mesmo. Capetto era seu nome.
No sopé do morro ficava a igreja. Era em homenagem à um santo dos
lugares mais baixos. Acima ficava um convento de freiras, todo branco, janelas
pequenas, portas pesadas, de madeira inteira.
Nele um grupo de freiras mais velhas e noviças alegres e joviais. Eram
comandadas pela Madre Superiora, senhora de olhar sisudo mas de feições que
demonstravam uma beleza leve, de um passado não tão distante. Chamava-se Madre
Imaculada.
Um dia, Madre Imaculada pediu à uma de suas noviças que fosse até a
igreja. Queria que Padre Capetto celebrasse uma missa em homenagem aos mortos.
Disse-lhe: “Irmã leve o recado ao Padre, só não fique à sós, com ele, na sacristia. Prometa-me que fará como pedi.”
Sim Madre Superiora, com as bençãos do Divino!
Irmã Virgínia Virtuosa da Anunciação Divina era jovem e muito bela. Nem
o hábito que vestia era capaz de esconder suas suaves feições. Era entretanto,
afoita e inexperiente, vivia num mundo mágico, não conhecia as armadilhas da
Terra.
Padre Capetto era italiano de origem. Falava com um sotaque gostoso,
charmoso com todas as mulheres. Já estava à frente daquela paróquia há alguns
anos. Era adorado pelas filhas de Maria.
Os dias eram quentes, a sacristia
o único lugar onde uma brisa refrescante corria. Capetto já havia levado
algumas incautas filhas de Maria para ver o estandarte do Divino e estas voltavam
deslumbradas , contando para as outras que tinham visto o espeto sagrado. Era
longo e maravilhoso...falavam com os olhos deslumbrados.
Com o tempo Padre Capetto ficou conhecido pelo seu longo espeto e alí,
atrás do altar, na frente do Divino, algo assanho se perpetrava. Capetto o
protagonista mór.
A inocente freira desceu o morro, adentrou a casa sagrada e procurou por
Capetto. Seus olhos brilhavam, mas não mais do que os do Padre. Este havia
ficado embevecido pela estonteante beleza daquela jovem criatura de Deus.
Com seu charme e sotaque sedutor convenceu-a à ir até a sacristia. Seus
planos estavam mais para capeta do que Capetto. Na frente do Divino mostrou-lhe
seu espeto. É sagrado, falou. Pode pegar.
A coitadinha não era competição para um macaco tão velho. Caiu vítima
daquele algoz. Na frente do Divino... Esqueceu-se até do recado que tinha de
dar.
Ao saber do ocorrido Madre Imaculada lívida e enfurecida, procurou
Capetto. O encontro foi rápido, as revelações contundentes. Pois a Madre já
havia sido uma das vítimas de Capetto. Não era tão imaculada quanto seu nome. A
jovem Virgínia Virtuosa, que não mais era nem uma nem outra, era filha de
Capetto, e, este... não sabia!
Capetto seu miserável, desvirginastes a própria filha! E, com um golpe
certeiro cortou-lhe o espeto.
A lenda ainda existe, a igreja também. O covento fechou as portas. Não
se aconselham visitas não acompanhadas à sacristia.
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