ARQUITETURA SEM LITURGIA
Frank O. Gehry deslumbra o mundo com criações cada vez mais ousadas.
Mas, como apologista da forma, abandona o essencial, qual seja, a função a que
elas se destinam.
Em nossa terra, o mesmo pecado é feito nas lindas e plásticas formas de
Niemeyer, prédios esculpidos para agradar aos olhos mas pouco práticos no seu
uso.
É mais evidente ainda quando se trata das igrejas que projetou.
Dir-se-ia que igreja seria um termo um tanto ao quanto elástico, pois sua obra
as retrata como capelas e não como basílicas, catedrais e até as próprias
igrejas cujas formas e uso obedecem a um ritual religioso de suntuosidade correspondente no cumprimento das
máximas litúrgicas.
Ele, Niemeyer não acreditava na pompa e circunstância que marca a função
destas edificações. Optou por sugerir uma outra forma de relacionar o fiel com
a casa de Deus. Colocou política e ideologia na mistura.
Bonito, mas irreal.
Suas igrejas, brillhantes como esculturas são meros capelões. E assim
será erigido outro, do mesmo naipe, em Belo Horizonte.
Só que desta vez Niemeyer criou um monstro de forma dissociada àquela
que a edificação pretende ser. Localizada em um buraco as margens da Linha
Verde, a catedral (capelão) do Cristo Rei é feia e não acrescentará nada ao
portfólio dele, muito menos o de nossa Arquidiocese. Urbanisticamente, esta no
lugar errado.
Barcelona, onde arquitetura e urbanismo andam lado a lado em harmonia, a
catedral da Sagrada Familia é um exemplo máximo de forma e função. Gaudi, o
grande mestre, deixou sua marca na cidade de maneira indelével. A catedral
respeita a liturgia e traz a merecida pompa e respeito no templo de Deus. Um
arquiteto que sabia o que fazia.
Niemeyer tambem o fez em Belo Horizonte mas suas igrejas, até mesmo a de
São Francisco, não são da estirpe de uma obra de Gaudi.
Sua ausência de compromisso com a religião faz-se clara na função das
mesmas.
Não seria a hora de nossa Arquediocese solicitar ajuda de quem realmente
entende de arquitetura religiosa?
Pena que Aleijadinho não esteja mais disponível.
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